‘Washington Post’ faz websérie que explica ‘como ser jornalista’

O jornal “Washington Post” lançou, em dezembro, uma websérie que pretende aproximar o leitor dos bastidores da produção das notícias que publica. A iniciativa surge em um momento em que a mídia norte-americana sofre para estabelecer sua credibilidade em relação ao público, como mostra uma pesquisa do Instituto Poynter em que 52% dos entrevistados afirmaram não confiar na imprensa.

No comando da repórter Libby Casey, a série, batizada de “How to be a Journalist” (como ser jornalista), traz vídeos curtos, de cerca de 6 minutos, em que profissionais do “Post” detalham seus processos de apuração e esclarecem eventuais dúvidas sobre o que acontece antes de uma reportagem chegar ao papel.

“As pessoas querem saber como um palpite pode virar a primeira página do jornal. Queremos ser transparentes e mostrar como fazemos nossas reportagens”, afirmou Casey na página de anúncio da iniciativa.

 No primeiro filme, as repórteres Stephanie McCrummen e Beth Reinhard contam como chegaram ao furo sobre as acusações de abuso sexual contra o então candidato republicano ao Senado Roy Moore e os cuidados envolvidos na apuração da história.

As jornalistas frisam a importância de não se contentar com rumores e checar todas as informações que chegam. Segundo McCrummen, uma boa tática é estar alerta para identificar na fala das fontes informações que possam ser verificadas de formas alternativas.

  “Se alguém diz que uma rua não é pavimentada, outra pessoa pode aparecer com uma foto da mesma rua pavimentada. Por isso vamos nós mesmas até a rua”, diz Reinhard, enfatizando que, por menor que seja o detalhe, o jornalista precisa confirmá-lo com seus próprios olhos.

 

As repórteres também abordam no vídeo a dificuldade de conseguir fontes que concordem em ter seus nomes revelados em reportagens delicadas. Para McCrummen, não cabe ao jornalista convencer as pessoas a falarem contra a sua vontade. “Tenho em mente que estou lá para ouvir. Vejo meu papel como o de alguém oferecendo uma chance para as pessoas contarem suas histórias se elas quiserem”, diz.

No segundo vídeo, os profissionais discutem a Lei de Liberdade de Informação (FOIA), que permite acesso a dados públicos guardados por agências do governo, e seus usos dentro e fora do jornalismo. Como qualquer cidadão norte-americano pode ter acesso aos mesmos materiais, o filme ensina o espectador a solicitar ele mesmo informações que julgue relevante.

 No Brasil, a Lei de Acesso à Informação, que completou cinco anos em 2017, funciona de forma similar qualquer pessoa, seja jornalista ou não, tem o direito de pedir e obter informações públicas.
O terceiro episódio aborda a relação entre jornalistas e delatores, explicando algumas das questões legais e de privacidade envolvidas nos casos em que uma fonte resolve revelar segredos a um repórter. Daniel Ellsberg, ativista responsável por vazar os documentos que ficaram conhecidos como Papéis do Pentágono, é um dos entrevistados por Libby Casey.

De acordo com a página de anúncio da iniciativa, o próximo filme deverá abordar questões relativas à organização de uma investigação.