Editores escolhem deixar Redações em vez de dispensar colegas

Por treinamento

Robert Moore, ex-editor do jornal texano “El Paso Times”, parou de contar quantos colegas tinha dispensado em sua antiga Redação quando o número chegou em 30 – dentre eles, seu próprio sobrinho e um homem que ele já havia tido que dispensar antes. Depois de 31 anos no veículo, em outubro deste ano, em vez de enviar mais uma lista de cortes que lhe haviam solicitado, Moore decidiu entregar seu próprio cargo.

“Era a melhor opção de uma série de alternativas ruins”, disse o jornalista, em matéria publicada pelo Instituto Poynter. Ele conta que já pensava na possibilidade há algum tempo, por julgar ser essa a melhor maneira de preservar o emprego do maior número possível de pessoas.

Assim como Moore, Gustavo Arellano, que durante 15 anos atuou no californiano “OC Weekly”, tomou a mesma decisão. Ao receber pedidos de nomes para um passaralho, o então editor ofereceu que cortassem metade do seu salário para manter os jornalistas no cargo.

 

Editores escolhem deixar Redações em vez de dispensar jornalistas (Daniel Tuttle/Flickr)

Meses depois, diante de mais pedidos de corte de gastos, Arellano ofereceu fazer uma série de concessões, como eliminar o orçamento para contratação de freelancers. Caso não fosse o suficiente, conta, ele se demitiria. Na mesma semana, o editor deixou o jornal.

Moore e Arellano não são os primeiros editores a se recusarem a fazer cortes ou a deixarem seus veículos por causa deles. Mas, em tempos em que as Redações diminuem de tamanho e aumenta a expectativa sobre seus profissionais, ambos viram em suas saídas uma forma de preservar o jornalismo que produziam.

“Nenhum jornal jamais conseguiu rentabilidade apenas fazendo cortes”, disse Arellano. “Talvez eu seja covarde, mas não queria ver meu jornal passar por isso.”

Para Moore, os anos de cortes o anestesiaram, tornando a decisão de pedir demissão mais fácil. Quando chegou no “Times”, conta, trabalhavam lá cerca de 55 profissionais, e quando saiu, o número já havia caído para 21.

Embora o jornal tenha sido bastante transparente quanto à sua saída, segundo Moore, isso não impedirá que se realizem novas demissões.

“A não ser que o cenário da indústria mude, com certeza terão mais cortes. E acho difícil que ele mude”, disse.