“No GregNews, adquiri experiência pouco óbvia”

Por treinamento

O estudante Tiago Aguiar, 26, do quarto ano de jornalismo na ECA–USP e repórter da Agência Lupa, conta, no texto abaixo, como foi a experiência de trabalhar como assistente de reportagem na primeira temporada programa “Greg News”, da HBO.

 

Gregorio Duvivier no programa “Greg News”, da HBO (Divulgação)

 

A primeira temporada da produção da HBO “Greg News” contou com vinte episódios, que foram ao ar entre maio e setembro deste ano. Os temas foram tão diversos quanto privilégios do alto funcionalismo público, Lava Jato, Escola Sem Partido e Venezuela.

O gênero comedy news não tinha experiências brasileiras até então. Ainda que tenha pego emprestado a identidade visual do “Last Week Tonight com John Oliver”, sucesso da HBO norte-americana, não houve algum tipo de treinamento da equipe brasileira. Não inventamos a roda, mas inventamos um modo de fazer funcionar o gênero por aqui.

As duas cabeças do programa são colunistas da Folha. Além de Gregorio Duvivier, que fazia a redação final e apresentava o texto, a equipe teve Alessandra Orofino como diretora geral e idealizadora. Ela normalmente se apresenta como ativista, mas o rótulo não dá conta de seu repertório profissional.

O programa envolvia o trabalho de mais de cem pessoas, mas, na redação, éramos dez: três roteiristas de humor (Arnaldo Branco, Gustavo Suzuki e Renata Corrêa, depois substituída por Valentina Castello Branco), três repórteres (Bruno Torturra, Denis Burgierman e Carol Pires), um assistente de reportagem (eu), uma assistente de produção (Diana Costa), além da Alessandra e do Gregorio.

Fui chamado de surpresa. Já tinha colaborado com o canal Fluxo do jornalista Bruno Torturra e estagiado para a ONG Minha Sampa, parte da rede Nossas, que tem Alessandra como diretora. Uma vaga aberta de última hora somada à confiança estabelecida pela experiência prévia com os dois nomes me abriu a oportunidade. Não pensei duas vezes: tranquei a graduação em jornalismo na USP e me mudei temporariamente para o Rio de Janeiro na semana seguinte.

Além do privilégio de trabalhar com grandes nomes já no meu primeiro emprego como efetivo, adquiri experiência pouco óbvia, mas definitivamente pertinente para o jornalismo em novos meios. Minha rotina envolvia acompanhamento de telejornais da semana (inclusive youtubers e canais de jornalismo não profissional), pesquisa de arquivos de vídeos de todo tipo e até leitura diária do melhor do humor político do Twitter, onde incluo o também colunista desta Folha, Celso Rocha de Barros.

Volto para São Paulo com uma dúzia de boas fontes, um tanto de experiência de roteiro e uma experiência de trabalho colaborativo de pesquisa e redação jornalística que poucos tiveram.

Meu intercâmbio foi para o Rio de Janeiro e não o trocaria por qualquer outro. Cheguei a aparecer como figurante no final do programa de Agrotóxicos. E o “Greg News” terá ao menos mais uma temporada, no primeiro semestre do ano que vem.