Reportagem brasileira vence Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde na categoria de impressos

Por treinamento
LEONARDO NEIVA
ENVIADO ESPECIAL A BUENOS AIRES

Uma reportagem do jornal “O Globo” sobre como a falta de aviões da FAB impediu transplantes de 153 órgãos no Brasil foi a grande vencedora da quinta edição do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde na categoria de mídia impressa. A entrega do prêmio aconteceu nesta quinta-feira (6), em Buenos Aires, na Argentina.

Em seu discurso, o jornalista Vinicius Sassine, autor do material, afirmou que o texto demonstra de forma prática a ausência de prioridades que existe hoje no Brasil.

“A reportagem tem muita força. Que sigamos defendendo o jornalismo de investigação, o jornalismo de que a sociedade necessita muito”, disse após a entrega do prêmio.

Nesta edição, a categoria foi dominada por jornalistas brasileiros, que receberam todas as indicações, além da menção honrosa. A premiação teve assistência técnica da Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI).

Vinicius Sassine (centro), jornalista por trás da reportagem vencedora na categoria de impressos do Prêmio Roche de Jornalismo em Saúde (Divulgação/Roche)

A reportagem “Zika vírus – Uma ameaça mundial”, que trata da epidemia a partir de casos encontrados em diferentes regiões do país, do Recife (PE) a São Paulo (SP), foi outra das finalistas. O trabalho foi desenvolvido pelas repórteres Silvia Bessa Cunha e Alice de Souza para o “Diário de Pernambuco”.

Outra história sobre o tema, “De onde vem essa zika?”, da revista Superinteressante, foi a terceira das indicadas. O texto, de Vêronica e Camila Almeida, explora a trajetória do vírus desde a sua primeira aparição documentada, na região do leste africano, até as consequências do surto recente no Brasil.

Na categoria de televisão, o programa “Alzheimer: música para recordar”, do Canal 13 do Chile, levou o principal troféu. Nele, as repórteres Paz Montenegro e Magaly Messenet acompanharam o trabalho da ONG Música e Memória ao longo de seis meses, convidando pessoas com Alzheimer a recuperar recordações através de músicas que marcaram suas vidas.

Também do Chile, a reportagem finalista “A luta invisível contra a leucemia”, feita pelos jornalistas do site Limonapps Enrique Yavar e Rodrigo Bofill, trata de dramas familiares e econômicos causados pela doença no país.

O Brasil apareceu na categoria com a série “Médicos no vício”, do Jornal da Record. Os programas apresentam uma investigação de oito meses sobre o vício de médicos em remédios à base de ópio. Os jornalistas Álvaro Saraiva, Luiz Carlos Azenha, Diego Costa, Lumi Zunica, André Caramante, Camila Moraes e Luiz Guerra participaram do trabalho.

As duas menções honrosas também foram entregues a representantes brasileiros: uma para a série de reportagens “Microcefalia e zika cada vez mais juntas”, de Cinthya Leite, do Jornal do Comércio; outra para “Técnica que modifica DNA pode ser chave da cura de muitas doenças”, do Fantástico, da TV Globo.

No total, foram 489 inscritos de 18 países da América Latina. Os vencedores recebem uma bolsa para um workshop da FNPI ou poderão optar por participar do Festival Gabriel García Márquez de Jornalismo, na cidade de Medellín, Colômbia, entre os dias 28 e 30 de setembro.

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O repórter Leonardo Neiva viajou a convite da Roche