Consultor de Columbia defende uso de algoritmos para curadoria de notícias

Por treinamento

O uso de algoritmos para distribuir notícias deve se tornar uma tendência no jornalismo em um futuro próximo. Com a ferramenta, é possível direcionar o conteúdo de publicações conforme a relevância do material e o interesse dos leitores. A constatação é do design Mario Garcia, consultor da Columbia Journalism School.

A ideia vem sendo aplicada por duas publicações escandinavas e também está passando por testes no “New York Times”.

Algoritmos estão ajudando jornais na curadoria de conteúdo | Foto Peter Mueller/Reuters

O algoritmo ajuda a circular melhor as notícias e não exclui o trabalho dos jornalistas, segundo Garcia. A ideia, ele explica, é que a ferramenta ajude a dar destaque ao que é mais relevante e às histórias que podem perdurar por mais tempo nas páginas dos veículos na internet. “Depois de repórteres e editores finalizarem uma história, eles estabelecem um ‘valor noticioso’ —que varia de a 1 a 5— e um valor de ‘tempo de vida’, entre curto, médio ou longo, e deixam o algoritmo fazer o resto”, escreve o consultor.

De acordo com Garcia, as ferramentas usam uma série de critérios para definir a agenda de notícias, assim como os humanos fizeram manualmente ao longo de anos. “Mas talvez com mais precisão, já que os algoritmos podem reagir a como os usuários se comportam, quanto tempo eles gastam na leitura, quando eles leem etc.”

EXPERIÊNCIA

Os jornais “Svenska Dagbladet” (sueco) e “Aftenposten” (norueguês) já estão usando as ferramentas para distribuir conteúdo. Segundo Garcia, isso faz com que assinantes da mesma publicação recebam notícias totalmente diferentes. “Suzana, que gosta de exercícios e cozinhar, recebe matérias sobre esses assuntos, enquanto Paulo, seu vizinho, pode receber doses mais pesadas de notícias sobre política e esportes.”

No “New York Times” o uso desse tipo de ferramenta também está sendo testado. A iniciativa, porém, foi criticada por leitores. Eles dizem que não querem que o jornal lhes mostre apenas o que desejam ver, mas as notícias que são realmente importantes.A ideia de personalizar a distribuição de notícias com algoritmos pode criar um tipo de leitor acostumado a receber apenas aquilo que lhe interessa. Há risco, por exemplo, de reforçar as ditas “bolhas das redes sociais”.

Para evitar isso, Garcia propõe criar junto ao uso das ferramentas “uma página com ‘notícias que você deve saber’, com talvez as cinco histórias mais importantes o dia”.

Ele afirma que, em um mundo cada vez mais digital, há duas qualidades que fizeram dos jornais essenciais e excitantes: “Trazer as notícias que nós precisamos saber e as surpresas que ficamos felizes em descobrir”. O consultor acredita que “nenhuma delas será sacrificada por uma solução algorítmica implementada cuidadosamente em parceria com editores experientes”.