Escola em Nova York ensina alunos a reconhecer notícias falsas

Por treinamento

Em uma sala de aula de uma escola de ensino fundamental do bairro do Brooklyn, em Nova York, a professora Marisol Solano mostra aos alunos um vídeo de um homem saltando de um avião, sem paraquedas, em uma cama elástica. Ao final, ela questiona: “Seria responsável da minha parte como consumidora de notícias compartilhar esse vídeo?”

Na sala de aula da professora Marisol Solano, alunos discutem veracidade de notícias (Yana Paskova/The New York Times)

Aulas como essa são comuns na Escola Intermediária 303, que procura ensinar os alunos a identificar artigos e vídeos falsos, segundo reportagem do “New York Times”. Nos últimos anos, o aumento de notícias fabricadas, compartilhadas sem verificação em redes sociais, acabou revestindo o tópico de uma nova importância.

“Começamos a ensinar a leitura de notícias antes mesmo de as pessoas começarem a falar sobre notícias falsas”, conta a diretora da escola, Carmen Amador. A principal preocupação, segundo ela, é ensinar adolescentes que já usam smartphones como principal fonte de notícias a separar fato de ficção.

Em outra sala, estudantes analisam um artigo chamado “Dezenas de milhares de votos fraudulentos em Clinton são descobertos”. Um dos alunos nota que o jornalista “pegou as informações de um apoiador de Trump”. Outro colega aponta para o fato de que os dados não foram confirmados com outras fontes. Os estudantes estão céticos quanto à credibilidade da reportagem.

Para Howard Schneider, reitor da Escola de Jornalismo Stony Brook, o momento ideal para aprender a fazer essa distinção é no ensino fundamental, quando “estudantes ainda não estão totalmente imersos em mídias sociais e suas visões políticas não foram desenvolvidas”.

O vídeo mostrado pela professora Solano viralizou em 2014 e tinha o mesmo formato de uma reportagem. Alguns alunos percebem, no entanto, que ele não veio de uma rede de TV e sim de uma emissora identificada como Sky Newz, que não existe.

A maioria dos estudantes afirma que teria compartilhado o vídeo. Já Charline Giambrone, 12, está no grupo dos que questionam sua veracidade. “Alguém poderia ter simplesmente pulado do teto sobre a cama elástica.”

Charline está certa. O vídeo foi produzido para promover um parque de camas elásticas. O salto não era real.