Há menos mulheres em cargos de poder no jornal, diz ombudsman do ‘New York Times’

Por treinamento

A ombudsman do “New York Times”, Liz Spayd, comentou em artigo na semana do Dia Internacional das Mulheres a diminuição do número de representantes femininas em posições de poder no jornal ao longo dos últimos três anos, desde que Jill Abramson deixou o cargo de editora executiva.

Apesar de dizer que três mulheres foram adicionadas recentemente ao quadro de editores e que “provavelmente há mais mulheres nesta Redação do que em qualquer outro jornal do país”, Spayd afirma ser preocupante o fato de somente homens ocuparem os principais cargos da cadeia de comando do jornal pela primeira vez nos últimos 14 anos.

Ombudsman do “New York Times”, Liz Spayd (Foto: Reprodução/Twitter)

Entre os repórteres, os números também não são animadores: há três homens para cada mulher no escritório de Washington e na editoria de esportes, e dois para cada uma na cobertura de cidades. Também existe predominância masculina na cobertura internacional, na crítica de arte e nas páginas de opinião, onde homens ocupam dez a cada 12 vagas.

“A escassez de mulheres contribui para as contínuas reclamações de leitores que enxergam um tom sexista na cobertura”, afirma a ombudsman. O foco em elementos do vestuário de figuras como Hillary Clinton e Theresa May e a maioria masculina entre os retratados na sessão de obituários —75% do total em 2016— são alguns dos motivos de reclamações.

Segundo Spayd, pesquisas internas mostram que o “Times” também tem uma maioria de leitores homens, uma tendência que tem sido levada a sério por editores. O jornal está montando uma equipe para tratar de uma variedade de questões de gênero, ao mesmo tempo em que se tem empreendido esforços para contratar mais editoras e incluir mulheres nas coberturas.

Em algumas seções, isso já acontece. Na editoria de vídeo, por exemplo, 60% dos funcionários são do sexo feminino. No entanto, mudar o equilíbrio de seções como a de esportes, onde vagas atraem 500 candidatos homens para cada mulher, pode ser uma tarefa mais difícil.

“Fizemos muito progresso, mas ainda há momentos em que sou a única mulher numa reunião, particularmente quando se tratam de assuntos de segurança nacional”, conta Elisabeth Bumiller, que dirige o escritório do jornal em Washington.

Para Spayd, o mais importante é o fato de que um desequilíbrio de gênero ou de raça na Redação faz com que o jornal não consiga representar o público que pretende alcançar.

O editor-executivo do “Times”, Dean Baquet, diz que está trabalhando para colocar mulheres em posições de autoridade dentro do veículo e concorda que, com presença feminina em altos cargos, histórias passarão a ser cobertas de forma diferente.

“Se mais posições devem ser ocupadas por mulheres, em reuniões de coberturas importantes e na alta liderança, isso dependerá de homens para acontecer”, conclui Spayd. “Eles são, afinal, aqueles que têm o poder para tanto.”