Focassauros, ativar

Por treinamento

TONY GOES
DO TREINAMENTO

Hoje saiu o “TCC” do Treinamento Sênior da Folha de S.Paulo, do qual eu tive a sorte de fazer parte. É um enorme pacote sobre os influenciadores digitais (vulgo youtubers), o fenômeno que está devorando o mundo tal como o conhecíamos. Na versão impressa do jornal, estamos na capa da “Ilustrada” e em duas páginas e meia no interior do caderno. Na versão online, há muito mais material, inclusive vídeos e uma entrevista que eu fiz com a vlogueira Niina Secrets.

Apesar de eu ter entrado para o grupo como ouvinte, na prática trabalhei como todos os outros. Fiz muitos outros textos, que acabaram não vendo a luz do dia. Jornalismo para valer é assim: as matérias caem, por falta de espaço ou por furos tomados. Como o que eu levei do próprio jornal -já tinha tudo engatilhado para entrevistar a Kéfera no set de seu terceiro filme, quando a Mônica Bergamo passou na minha frente.

SAO PAULO, SP, BRASIL, 03-10-2016, 19h00: Tony Goes, 55, da nova turma de Trainees da Folha. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress, FSP-TREINAMENTO) ***EXCLUSIVO***
Tony Goes, 55, ouvinte da turma de trainees sênio da Folha. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

A turma de trainees, todos com mais de 40 anos, era excepcional. Pudera: foram dez pessoas selecionadas entre mais de 1.500 inscritos, la crème de la crème de la crème. Cinco mulheres e cinco homens; cinco de São Paulo e cinco de outras Estados.

Advogados, médicos, professores, publicitários e até jornalistas de formação que enveredaram por outros caminhos. A eles se juntaram um diretor comercial da própria Folha e euzinho, que já colaboro com o jornal há sete anos. Formamos uma turma bem diversa em idades e profissões, mas unida pela vontade de saber como funciona um jornal. E chamamos a nós mesmos de “focassauros”, mistura de foca (repórter inexperiente) com dinossauro. O apelido pegou tanto que agora até a própria Folha se refere a nós desse jeito.

Mesmo com tanto treino, me faltam palavras para descrever o que foi esse curso, sob o comando das ex-ombudsmans Vera Guimarães Martins e Suzana Singer. Tivemos longos encontros com nomes como Elio Gaspari, Clóvis Rossi, Mario Cesar Carvalho, Patricia Campos Mello, Daniela Pinheiro e integrantes da direção da Redação. Pudemos perguntar o que quisemos e ouvimos histórias incríveis, que aconteceram há décadas ou que ainda nem podem ser publicadas. Visitamos o parque gráfico do jornal, uma experiência impressionante, e discutimos muito o futuro do papel. E ainda tivemos muitas aulas de português com a implacável Thaís Nicoleti, que passou a surgir na minha cabeça toda vez que eu estou escrevendo, só para me deixar travado (rs).

Agora estamos dispersos, mas ainda ligados à Folha. Alguns de nós já estão se tornando “stringers” do jornal em suas cidades. Outros estão colaborando ativamente para os mais diversos cadernos. Eu continuo no F5, oxalá com mais rigor jornalístico nas minhas colunas. Porque agora eu vi de perto a barra que é produzir um jornal diário. A correria, a luta pelo furo, a batalha pela confirmação das notícias, Tudo tem que ser checado e rechecado, e a tempo do fechamento.

Num momento em que as notícias falsas estão mudando o rumo da história, tornou-se ainda mais clara para mim a necessidade do jornalismo profissional. Hoje fico ainda mais puto quando alguém reclama da “mídia golpista” nas redes sociais, ao mesmo tempo em que compartilha links de sites para lá de obscuros e/ou tendenciosos. Jornalismo bem feito é difícil e custa caro. Se ninguém quiser pagar por ele, elegeremos cada vez mais Trumps e similares.