Transparência é essencial em artigos opinativos, diz ombudsman do ‘NYT’

Por treinamento
O Facebook tem sido alvo de críticas desde o fim das eleições americanas. Durante a corrida presidencial, a rede social foi veículo para a disseminação de notícias falsas sobre a candidata Hillary Clinton.
 
Qual a responsabilidade do site sobre o conteúdo compartilhado em sua plataforma? Como ele poderia ter agido para impedir campanhas políticas difamatórias?

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A ombudsman do “NYT”, Liz Spayd (Foto: Reprodução/Twitter)
 
A jornalista Jessica Lessin defendeu, em um artigo de opinião publicado pelo “The New York Times” no dia 29 de novembro, que o Facebook não deve ser responsabilizado por esse conteúdo. Afinal, a quantidade de notícias compartilhadas é tão grande que a tarefa de checar cada uma delas seria praticamente impossível.
 
Ansiosos pelo fim do debate, os executivos do Facebook respiraram aliviados com a defesa editorial no jornal mais influente do mundo.
 
Mas o alívio durou pouco. Na edição seguinte, a ombudsman do jornal, Liz Spayd, suscitou uma questão importante sobre o artigo: o conflito de interesses.  No caso de Lessin, esse conflito é bastante relevante. 
 
A jornalista é casada com Sam Lessin, amigo íntimo do fundador do Facebook, Mark Zuckeberg. Os dois estudaram juntos na Universidade Harvard. Quando Zuckeberg estava começando seu negócio, Sam o apresentou a investidores que tornaram a rede possível. Anos mais tarde, Sam se tornaria um dos vice-presidentes da empresa de Zuckeberg.
 
Para Spayd, o jornal errou ao não deixar claro para o leitor a relação de Jessica com o site que ela estava defendendo.
 
Jessica foi repórter de tecnologia no “The Wall Street Journal” e hoje escreve para seu próprio site, onde já publicou artigos críticos ao Facebook. A relação do seu marido com a empresa não a impossibilita de se posicionar sobre um assunto sobre o qual possui amplo conhecimento, nem torna seus argumentos menos sólidos, afirma Spayd.
 
O que minou o texto, para a ombudsman, não foi a existência do conflito em si, mas a omissão dele pelo jornal. A transparência, para ela, é essencial e beneficia ambas as partes: o leitor do jornal, que tenta avaliar os argumentos expostos, e o autor do texto, que mantém sua credibilidade.