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AP quer automatizar processo de adaptação de reportagens para diferentes formatos

Por treinamento

Quando um repórter da AP (Associated Press) faz a cobertura de um jogo esportivo, ele produz oito versões diferentes de uma mesma história. Além de escrever o texto, precisa redigir sumários de notícias e converter a história para formatos de rádio ou TV, entre outras coisas.

Em geral, jornalistas da AP gastam cerca de 800 horas por semana adaptando histórias para outros formatos. Como solução para o problema, a agência estuda automatizar alguns desses processos. O objetivo é liberar jornalistas para outras atividades e ao mesmo tempo ampliar sua produção de conteúdo.

Redação da agência Associated Press em Nova York (Foto: Divulgação)
Redação da agência Associated Press em Nova York (Foto: Divulgação)

“A pessoa que está sentada convertendo toda essa porcaria poderia sair para capturar vídeos de bastidores com seu iPad se ela não precisasse fazer oito versões diferentes de uma mesma história”, afirma o vice-presidente da agência, Jim Kennedy.

O objetivo da AP é ousado: automatizar 80% da sua produção de conteúdo até 2020. Até agora, uma equipe de cinco funcionários já conseguiu criar um protótipo que identifica elementos em textos que precisam ser adaptados na conversão para outros formatos –histórias devem ser menores, sentenças mais concisas, números arredondados.

O gerente de desenvolvimento do projeto, Francesco Marconi, no entanto, afirma que a ferramenta ainda precisa passar por testes. Segundo ele, para seguir com o projeto, a AP deve fazer uma parceria com uma empresa especializada em aprendizado de máquina.

“O aprendizado de máquina pode ajudar a criar um algoritmo que compara uma reportagem com a mesma história em uma versão diferente. Ele deve identificar como um humano faria essas mudanças no texto”, diz Marconi.

Em 2014, trabalhando com a empresa Automated Insights, a agência começou a automatizar a produção de reportagens sobre lucro de empresas. Hoje, ela gera 4 mil dessas histórias a cada três meses –dez vezes mais do que os jornalistas produziam antes.

Este ano, a empresa também está usando um sistema automatizado para transformar informações de partidas de ligas menores de beisebol em textos. “Antes não cobríamos essas histórias. Agora estamos fazendo isso sem seres humanos e produzindo reportagens que não tínhamos antes”, diz Kennedy.

Para que o novo algoritmo seja bem-sucedido, no entanto, os textos produzidos deverão ser bons o suficiente para que não precisem ser editados novamente antes de ir ao ar.

Caso funcione, um dos possíveis usos dessa automação é na produção de coberturas personalizadas para diferentes clientes e públicos. “Digamos que um jornal ou site identifique entre seus assinantes cinco perfis diferentes de leitores”, explica Kennedy. “Poderíamos customizar nosso conteúdo para cada um deles”.

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