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Crítica ao atual modo de fazer jornalismo, diretora da BBC pede demissão

Por treinamento

Na manhã de 29 de setembro, a diretora do sistema de rádio da emissora britânica BBC, Helen Boaden, pediu demissão. Ela trabalhava no veículo há mais de 30 anos.

Apesar dos elogios à BBC, sua renúncia acabou soando como um grande desabafo. O jornal inglês “The Independent” publicou um trecho do relato em que Boaden faz reflexões acerca do que se tornou o jornalismo moderno. Um dos pontos mais criticados pela jornalista é a instantaneidade da notícia.

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Ex-diretora da BBC, Helen Boaden (Divulgação/BBC)

De acordo com Boaden, a necessidade de reportar a todo momento tem gerado contradições. A jornalista questiona se os temas estão sendo bem explicados e explorados ou se os jornalistas estão mais ocupados sendo “escravizados pelo ritmo da notícia”. Como exemplo, cita os canais televisivos de notícias 24 horas que acabam repetindo um assunto várias vezes no mesmo dia.

Esse ritmo alucinado, segundo Boaden, faz com que as reportagens sejam mais superficiais, incapazes de expressar a complexidade que as cerca, algo que pôde ser visto na cobertura dos refugiados na Europa. Inicialmente, os refugiados foram relatados como vítimas e, no decorrer do tempo, foram se tornando uma “espécie de vilões”.

Para demonstrar como os migrantes passaram a ser tratados de maneira mais ácida, como se fossem os culpados pela própria desgraça, ela citou algumas manchetes publicadas em jornais ingleses (sem citar os veículos): “Política de migração porta aberta de Angela Merkel vai custar à Alemanha pelo menos £ 17 bilhões –e isso é só para este ano”; “Uma parede de 13 pés vai realmente parar todas essas pessoas chegando à Grã-Bretanha?”; “‘Este país é muito pobre’ – escala chocante de migrantes esnoba a Sérvia, apesar da recepção calorosa”.

Na parte final de seu relato, a jornalista aconselha os colegas a “parar para recuperar o fôlego” e produzir conteúdos que “não sejam direcionados ao vácuo”. “A escolha está em nossa mãos. A audiência nos julgará pelo que fazemos”, diz Boaden.

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