Divulgação de ciência brasileira precisa avançar, diz astrofísico

Por treinamento

LUISA PINHEIRO
DA EDITORIA DE TREINAMENTO

O trabalho da assessoria de imprensa em instituições de pesquisa dos EUA deveria ser um modelo para a divulgação científica no Brasil. A opinião é do astrofísico Rodrigo Nemmen, professor da USP, que falou no Programa de Treinamento em Jornalismo de Ciência e Saúde da Folha na última terça-feira (5).

Quando Nemmen era bolsista do laboratório de pesquisas espaciais da Nasa em Washington, recebia ajuda dos assessores na hora de preparar apresentações aos jornalistas.

Ele conta que havia ainda uma equipe de designers para simplificar os gráficos da pesquisa, incompreensíveis para o público leigo.

Pesquisador Rodrigo Nemmen diz que cientistas brasileiros têm dificuldade para passar informações para o público (Foto: Divulgação)
Astrofísico Rodrigo Nemmen diz que cientistas brasileiros têm dificuldade de simplificar informações (Foto: Divulgação)

Para o professor do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas), a falta de preparo dos pesquisadores para dar entrevistas também prejudica a divulgação da ciência brasileira.

“No Brasil, são raros os professores que têm condição de baixar o nível de seus estudos para falar com jornalistas”, afirmou.

Nemmen disse que esse é um dos motivos para que a ciência produzida por brasileiros seja notícia primeiro nos veículos internacionais. Só depois da repercussão em outros países a pesquisa teria destaque no Brasil.

Como exemplo, o astrofísico contou que um artigo publicado em 2012 na “Science” sobre uma nova lei que rege o comportamento dos buracos negros repercutiu antes nos Estados Unidos.

Na palestra, Nemmen disse ainda que novidades sobre buracos negros têm apelo popular, apesar de não haver muito interesse por ciências do espaço no Brasil.

“Fatalismo com buraco negro lota auditório, principalmente se explorar elementos da cultura pop”, disse em referência às palestras “A ciência do filme Interestelar” e “24 maneiras de morrer num buraco negro”.