Em livro, editora da Folha narra ‘gestação a distância’

Por treinamento

“O resultado do exame de Vanita foi positivo. Vocês estão esperando um bebê.”

Foi assim, num telefonema dado pela médica indiana Nayana Patel, que Teté Ribeiro, editora da “Serafina”, ficou sabendo que sua família ia aumentar. Vanita é a mulher indiana que, aos 28 anos, foi o “útero de substituição” —ou barriga de aluguel— que gestou as gêmeas Rita e Cecília, filhas da jornalista, que estão com dois anos e meio.

A tomada de decisão, o período de gestação e a viagem para buscar os bebês são alguns dos episódios relatados por Teté em “Minhas Duas Meninas”.

O livro mescla reportagem com o relato pessoal da jornalista para apresentar aos leitores as diferenças culturais da Índia e os dilemas enfrentados pela família na empreitada.

A jornalista e o marido, Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, tentaram ter filho por sete anos. Sem sucesso, escolheram pagar por uma barriga de aluguel.

As jornalistas Patrícia Campos Mello (esq.) e Teté Ribeiro durante debate na Casa Folha, na Flip
As jornalistas Patrícia Campos Mello (esq.) e Teté Ribeiro durante debate na Casa Folha, na Flip

Teté já sabia que a prática era permitida na Índia, mas só decidiu apostar nesse caminho depois de conversar com Patrícia Campos Mello, repórter especial do jornal, que fez uma reportagem sobre a clínica da médica indiana em 2013.

Ambas falaram sobre o tema durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano, em mesa na Casa Folha, espaço de debates organizados pelo jornal.

A gestação a distância “tinha potencial para enlouquecer”, afirmou Teté, na Flip. “Resolvi que não ia me preocupar. Não tinha controle da alimentação de quem gestava meus filhos. Fiz a única coisa possível, que era nada”.

Uma parte da experiência do casal também foi contada em relato na revista “Piauí”, em setembro de 2014 (disponível no site para assinantes).

Um dos temas abordados no livro é a diferença entre ser mãe na Índia e no Brasil. O casal só soube qual era o sexo dos bebês, por exemplo, no momento em que foram conhecê-los.

No país asiático, médicos não podem revelar o sexo das crianças, medida imposta para evitar abortos entre as camadas mais pobres da população. Algumas famílias indianas interrompem a gravidez quando descobrem que terão uma menina.

Teté voltou à Índia no ano passado para visitar Vanita, com presentes e fotos das meninas. A indiana ficou com US$ 8 mil do total de US$ 25 mil que a jornalista pagou pela gestação –dinheiro que guarda para a educação do filho.

O livro “Minhas Duas Meninas” será lançado nesta terça-feira (12), às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073). O evento é aberto ao público.

MINHAS DUAS MENINAS
AUTORA: Teté Ribeiro
EDITORA: Companhia das Letras
QUANTO: R$ 39,90 (184 págs.)