Após detectar reportagens forjadas, ‘Guardian’ anuncia mudanças na contratação de frilas

Por treinamento

O jornal britânico “The Guardian” anunciou que vai vai rever políticas de contratação de frilas e uso de fontes anônimas após episódio em que reportagens foram possivelmente forjadas.

O veículo removeu 13 reportagens de seu site no fim de maio deste ano após investigar acusações de que matérias e citações eram falsas, de acordo com informações do instituto Poynter.

O jornalista Joseph Mayton, autor dos textos, contribuía com o jornal desde maio de 2015 e já escreveu cerca de 60 matérias para o jornal. A maior parte delas com notícias sobre a Califórnia (EUA), onde mora.

A suspeita surgiu após fontes citadas nas reportagens procurarem o jornal. Elas disseram nunca ter falado com Mayton.

O fato levou o “Guardian” a contratar pessoas para checar todo o material do jornalista publicado no site do jornal. Como consequência, além das 13 matérias removidas, vários trechos e citações foram suprimidos porque não puderam ser comprovados.

Mayton se reuniu com os editores e chegou a enviar dados sobre algumas entrevistas, mas “não quis fornecer informações sobre a maioria das fontes”, segundo o “Guardian”.

O jornalista publicou uma nota em seu Twitter se defendendo. “O ‘Guardian’ publicou hoje, em 26 de maio, que eu ‘forjei’ aspas, histórias e que não estive em eventos aos quais eu fui”, afirmou. “As acusações são incorretas e eu providenciei provas mostrando que muitas das fontes que falaram comigo ou não se lembram ou se recusaram a falar a verdade.” A íntegra pode ser lida aqui (em inglês).

Em nota, além de anunciar mudanças para evitar que o erro se repita, pediu perdão:

“Queremos pedir desculpas a todos aqueles cujas palavras foram mal interpretadas ou falsificadas. Nós também queremos pedir desculpas a vocês, nossos leitores, pelos erros que foram feitos aqui, e esperamos que não tenham comprometido a confiança que vocês depositam no ‘Guardian’. Asseguramos que vamos melhorar.”

O pedido de desculpas feito pela editora da sucursal americana do jornal, Lee Glendinning, pode ser lido na íntegra no site do jornal (em inglês).