Jornais buscam pouco a inovação, diz editor da Folha

Por treinamento

Os jornalistas estão muito presos a regras e priorizam a cópia à criação, afirma o editor de Imagem da Folha, Fabio Marra.

Em palestra na quarta-feira (8), na sede do jornal, Marra defendeu o chamado “pensamento lateral”, que é a busca por um ponto de vista criativo, fora do normal, para uma cobertura.

Fabio Marra, editor de Imagem da Folha (Foto: Divulgação/Centro Universitário Belas Artes)

O editor pesquisou recentemente o tema durante curso de jornalismo visual, no Instituto Europeu de Design, em Barcelona.

“A gente se limita na hora de criar. Se a gente nem tentar fazer, a gente não vai fazer”, disse Marra.

Ele citou como exemplo de falta de inventividade as coberturas sobre crises hídricas, em São Paulo e na Califórnia (EUA). A Folha, em relação ao Cantareira, publicou por vários dias um mapa com os principais reservatórios do sistema. Já o “New York Times” fez infográfico interativo sobre o problema na Califórnia, que mostrava inclusive a quantidade de água necessária para produzir diversos alimentos.

Para chegar a soluções inovadoras, Marra defende que o jornal produza menos material, mas com mais qualidade. E, se preciso, com mais tempo para elaboração.

“Prazo, nos principais jornais do mundo, já era. Ou alguém se dedica exclusivamente durante 15 dias para fazer algo bom ou não faz.”

DESAFIO

Para mostrar como se busca pouco inovação, Marra propôs um desafio. No começo da palestra, dividiu os jornalistas em grupos. O objetivo era colocar um marshmallow no lugar mais alto possível. Junto ao doce, foram distribuídos macarrão, barbante e fita.

Ninguém tentou, por exemplo, levar o marshmallow para o andar de cima. Todo mundo tentou usar o macarrão como estrutura. “Não precisava usar aquelas ferramentas. Vocês que se limitaram.”