Influências eleitorais em SP são atípicas, diz diretor do Datafolha

Por treinamento

Nada define mais o voto do paulistano do que o bairro em que ele vive. O forte apego aos valores locais torna as eleições em São Paulo atípicas, se comparadas ao restante do país. A conclusão é do diretor de pesquisas do Datafolha, Alessandro Janoni.

Em palestra sobre as eleições de 2016, no auditório da Folha, Janoni mostra que a composição do voto eleitoral tem três principais influências, independentemente do cenário: ambiente social, classe socioeconômica e satisfação com o governo. Na capital paulista, entretanto, o primeiro fator é muito mais expressivo, de acordo com ele.

Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do Datafolha (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

A heterogeneidade paulistana permitiu que se elaborasse um mapeamento do perfil dos moradores de cada um dos 96 distritos do município. A pesquisa, chamada “DNA paulistano”, de 2012, mostra a característica de cada bairro em relação aos serviços públicos oferecidos na região.

Embora muitos bairros possuam tendências esperáveis, Janoni diz que alguns funcionam como “swing states” paulistanos —referindo-se ao nome dado aos Estados norte-americanos onde, durante as eleições presidenciais, nenhum candidato possui maioria absoluta nas intenções de voto, tornando-os alvo de campanhas maciças para atrair os indecisos. “Alguns bairros na região da Vila Matilde e da Penha são imprevisíveis”, afirma. Como a intenção de voto nesses lugares depende de como a eleição segue, podem definir o resultado final.

Para o diretor, é evidente que as eleições paulistanas têm efeito direto no cenário político nacional. “São Paulo implodiu o Brasil nos últimos quatro anos. O movimento pró-impeachment e as manifestações de 2013 nasceram aqui.”

Pesquisas eleitorais

Janoni afirma ser essencial conhecer a metodologia de uma pesquisa para compreender seus resultados. Ele conta que muitas pessoas desconfiam da veracidade dos dados divulgados pelo Datafolha por não terem conhecimento estatístico. “No Brasil há 142 milhões de eleitores, mas não é preciso entrevistar todos para determinar o resultado de uma eleição. Você pode descobrir o sabor de um prato de sopa sem precisar tomá-lo inteiro.”

Para garantir a representatividade de uma amostra, o Datafolha entrevista a mesma proporção de pessoas com perfis encontrados na população total, entre homens, mulheres, jovens e idosos. A distribuição da amostra é ainda mais importante do que o número de entrevistas.

A padronização do questionário e da amostragem permite projetar e generalizar os resultados com precisão, tornando a pesquisa ideal para conhecer a grandeza da presença de determinadas opiniões, atitudes e hábitos.

Para Janoni, pesquisas eleitorais têm pouco valor se vistas separadamente. O ideal é comparar os resultados evolutivamente. “A pesquisa é só uma fotografia do momento da coleta. O entrevistado pode chegar em sua casa, ligar a TV e simplesmente mudar de opinião. O ideal é divulgar os resultados o mais rápido possível após coletados”.