Em vídeo, jornalistas relatam assédio sofrido na infância

Por treinamento

Na última semana, surgiram nas redes sociais diversos relatos de assédio sofrido por mulheres na infância ou início da adolescência. Foram histórias de abuso no transporte público, na rua ou dentro de casa, muitas vezes por parentes ou amigos da família.

O movimento #primeiroassedio, iniciado pelo grupo feminista Think Olga, foi uma resposta a comentários de tuiteiros em relação a uma participante de 12 anos do programa “MasterChef Júnior”. “Sobre essa Valentina: se tiver consenso é pedofilia?”, dizia um usuário do Twitter.

Em cinco dias, a hashtag tinha sido usada 82 mil vezes no Twitter. Uma análise feita pelo Think Olga constatou que a idade média dos assédios relatados era 9,7 anos.

Neste sábado (31), o jornal gaúcho “Zero Hora” lançou em sua página no Facebook um vídeo em que jornalistas falaram sobre a primeira vez em que foram assediadas por um homem.

“As jornalistas que participaram decidiram contar suas histórias para ajudar a romper com o silêncio que alimenta a cultura de abusos e violências”, dizia a publicação.

“Eu devia ter uns 12 ou 13 anos e estava no ônibus.  Eu me levantei para sair e o cara que estava atrás de mim ficou alisando a minha bunda. Eu fiquei com tanto medo e vergonha que fiquei paralisada”, disse a editora-assistente Natacha Gomes.

A repórter Juliana Forner, por sua vez, foi beijada à força aos 17 anos. “Eu saí da casa [de um amigo] e um ‘guri’ me seguiu e me beijou a força. Depois ele ficou contando vantagem e dizendo que era assim que se fazia”, disse.

Aos 12, a editora-assistente Greyce Vargas foi abordada no caminho para a escola. “Um carro parou e abriu o vidro. Parecia que ele ia pedir informação, mas ele perguntou por quanto eu topava entrar no carro dele”, afirmou.

O jornal também disponibilizou uma página em que as leitoras podem compartilhar as situações em que também foram vítimas.

Para ver o vídeo completo, clique aqui.

Juliana de Faria, do Think Olga, criou o movimento #primeiroassedio
Juliana de Faria, do Think Olga, criou o movimento #primeiroassedio (Crédito: Luisa Dörr/Folhapress)