Tecnologia é apenas uma ferramenta, diz professor da Universidade Columbia

Por treinamento

Apurar e escrever bem já não bastam para ser um bom repórter. Filmar, fotografar, editar e usar redes sociais, porém, também não são suficientes. “Tecnologia é só uma ferramenta. É preciso saber usá-la de maneira inteligente”, diz Ernest Sotomayor, responsável pelo programa de educação continuada e iniciativas latino-americanas da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, nos Estados Unidos.

Em palestra na Folha nesta quinta (29), Sotomatoyor, que é professor de redação digital, falou sobre as mudanças do mercado jornalístico nas últimas décadas e sobre os desafios enfrentados pelos repórteres.

Confira abaixo alguns momentos da palestra.

Ernest Sotomayor em palestra na Folha
Ernest Sotomayor em palestra na Folha (Crédito: Jeol Silva/Folhapress)

Repórter 3 em 1

O mercado procura jornalistas que saibam fazer tudo: filmar, fotografar, usar redes sociais. Você tem pessoas fazendo duas, três coisas ao mesmo tempo. Eles tuitam, escrevem uma reportagem para o site e depois escrevem outra para o jornal impresso. Se der, filmam e fotografam. No “The New York Times”, vez ou outra algumas pessoas fazem isso. Em veículos menores, porém, isso acontece o tempo todo. Isso impacta a qualidade. Algumas pessoas conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas dificilmente conseguem fazer muitas coisas muito bem.

Jornalismo de dados

Nunca houve tantos dados públicos disponíveis, mas é difícil analisá-los e encontrar as respostas certas. Você deve usar os dados como o início para a reportagem. É preciso transformá-los em informações relevantes e úteis.

Aprendizado universal

Quando a Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia foi criada, em 1912, a proposta era ensinar somente jornalismo —nada de relações públicas, comunicação, assessoria de imprensa. Isso não é mais possível. Em geral, cada repórter deveria entender mais ou menos o modelo de negócios do veículo para o qual trabalha, como atrair mais leitores, como usar mídias sociais. As coisas mudaram e precisamos ensinar tudo isso.

Ferramentas

Nós ensinamos os alunos a fazer boas reportagens e a saber quando a tecnologia pode ser útil. As ferramentas das mídias sociais, por exemplo, ajudam na interação com os leitores. Ajuda a fazer com que as pessoas continuem lendo suas histórias e a conseguir informações a partir dessas pessoas. O ProPublica divulga as investigações que está fazendo e convida o internauta a colaborar com dados. Fizeram isso com uma reportagem sobre seguro-saúde e obtiveram milhares de respostas. Tecnologia é só uma ferramenta. É preciso saber usá-la de maneira inteligente.

Redação integrada

Por quatro anos eu fui responsável pela seção online de um jornal. Quando entrei, eu ficava em um prédio separado da Redação e tinha que ligar para os repórteres e pedir que me mandassem os textos. Pouco antes de deixar o jornal, minha mesa ficava ao lado do editor de cidades e eu lidava diretamente com os repórteres. Hoje há poucas redações em que há equipes diferentes para o impresso e para o on-line. O mesmo está acontecendo entre comercial e redação. As duas áreas estão cada vez mais próximas.