Diretório online lista apenas fontes femininas e orientais

Por treinamento
Raha Moharrak, alpinista saudita. (Crédito: Narendra Shrestha/EFE)
Raha Moharrak, alpinista saudita. (Crédito: Narendra Shrestha/EFE)

Bulbul é uma espécie de ave de canto bonito, tida como símbolo de esperteza no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia. Vem daí o nome do site Bulbula: um diretório que reúne mulheres dessa região, com o objetivo de facilitar o acesso dos veículos ocidentais de comunicação a pessoas que têm conhecimento, conteúdo e experiência para serem compartilhados.

O site foi lançado em fevereiro pela jornalista sírio-holandesa Kinda Haddad. “Eu viajava pela Síria e não reconhecia na mídia as mulheres que encontrava. Na verdade, elas eram exatamente o oposto: fortes e eloquentes, graças à cultura oral presente na região”, disse ela para a Folha.

Kinda trabalhou por 15 anos cobrindo o Oriente Médio para canais como BBC, Discovery Channel e Al Jazeera. Segundo ela, um dos sintomas dessa distorção midiática é que muitos analistas do Oriente Médio não são nativos da região. “A impressão que dá é que toda a região é uma entidade, sem divergências e pluralidades”, analisa.

A letra “a” no final da palavra Bulbula não é erro de digitação: ela foi incorporada à palavra para marcar a feminilidade. Por intermédio de Kinda, é possível conseguir o contato de mulheres como Raha Moharrak, a primeira saudita a escalar o monte Everest; Laila Hamdaoui, editora da revista de moda Laha; além de dezenas de advogadas, escritoras, jornalistas e artistas.