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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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Por que não criticar a ciência?

Por treinamento

Por Naíla Barbosa

Existe uma tendência de jornalistas endeusarem cientistas que pode ser prejudicial à imprensa e à sociedade, na avaliação de Marcelo Leite, colunista e repórter especial da Folha.

“A admiração é justificável pela excelência da pesquisa feita, mas não deve interferir no trabalho do jornalista, que precisa manter o espírito crítico”, disse o jornalista, em palestra aos trainees de Ciência e Saúde.

Leite, que já foi editor de “Ciência” da Folha, afirmou que jornalistas em geral são críticos com esporte, política, economia, mas quase nunca com ciência – área capaz de influenciar decisões que afetam diretamente a vida das pessoas.

Marcelo Leite, colunista da Folha (Joel Silva/Folhapress)
Marcelo Leite, colunista da Folha. (Crédito: Joel Silva 25-jul-2014 /Folhapress)

“O jornalismo de ciência pode despertar vocações em jovens leitores e, mais perigosamente, incentivar hábitos com possíveis efeitos danosos ao leitor leigo”, afirmou, citando o exemplo de pessoas que se arriscam a seguir dietas publicadas em revistas para emagrecer.

Leite considera que a falta de contato do brasileiro com a ciência faz com que temas como células-tronco ou alimentos transgênicos sejam discutidos, inclusive no Congresso Nacional, com base em “crendices”.

Ele considera que o exercício da crítica no jornalismo científico é fundamental para reverter esse cenário. “Cabe ao jornalista dizer: vai devagar”, afirmou Leite, referindo-se a cientistas que prometem grandes resultados a partir de uma única pesquisa.

O jornalista lembra o caso do Projeto Genoma Humano, responsável pela decodificação do DNA, que quando anunciado, na década de 1990, prometia a cura de doenças genéticas.

“Não podemos alimentar na população a noção de que a ciência produz verdades intocáveis”, disse, acrescentando que “as verdades científicas são muitas vezes provisórias, e não bíblicas”.

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