Nova plataforma publica grandes reportagens e cobra por cada uma

Por treinamento

Na semana passada, foi lançada a Brio, plataforma que publica grandes reportagens e pretende aproximar leitores, editores e autores.

Criado por um grupo de jornalistas egressos das redações de jornais diários, o Brio aposta em conteúdo extenso, aprofundado e desenvolvido com uma mentalidade multimídia.

“Acreditamos que há no Brasil um público interessado em ler grandes histórias. Resta descobrir se esse internauta está disposto a pagar por essas narrativas”, diz Felipe Seligman, um dos idealizadores da plataforma.

Entre as reportagens disponíveis no lançamento, estão textos de um vencedor do Prêmio Pulitzer, o norte-americano Mark Hay, e do repórter Matheus Leitão, que conta como localizou, após anos de procura, o homem que entregou seus pais ao DOPS durante a ditadura militar (ele é filho da jornalista Miriam Leitão).

No primeiro momento, todos os leitores que se cadastram na plataforma recebem códigos promocionais para acessar livremente as cinco reportagens publicadas. Depois, os internautas terão a opção de fazer uma assinatura mensal (US$ 6) ou comprar reportagens individualmente (US$ 4).

Jornalistas independentes que buscam apoio para publicar grandes histórias podem encontrar na plataforma um espaço para veicular seu trabalho. As reportagens serão selecionadas pela equipe de editores.

Dependendo da proposta, o material pode ser apenas publicado pelo Brio ou pode ter o envolvimento dos editores em todo o processo. “Criamos uma modalidade chamada ‘in-house’ em que auxiliamos o autor desde a pauta, edição do texto e divulgação. Geramos todo um engajamento da equipe com o autor para criar o produto final”, explica Seligman.

Da receita gerada pela venda das reportagens, 55% vai para os jornalistas responsáveis e 45% fica para a plataforma.

A interação com leitores fica por conta de grupos de discussão, vinculados a cada uma das reportagens, que se assemelham ao espaço tradicional de comentários, com o diferencial da presença dos criadores daquele conteúdo.

A ideia é ter conteúdo também em inglês. “Os EUA já têm um público consolidado que paga para ler long stories. Com os conteúdos em inglês, abrimos possibilidades de negociar essas histórias em outros formatos”, conta Seligman, citando como exemplo a “Epic Magazine” uma plataforma especializada em negociar adaptações para o cinema que ganhou notoriedade com a história “The Great Escape”, transformada no vencedor do Oscar de melhor filme de 2013, “Argo”.

Seligman indica que a negociação de conteúdo para outros formatos pode ser um caminho futuro para a plataforma. “Temos um pensamento de start-up. O importante é testar o modelo de negócios o mais rapidamente possível para descobrir se ele vai dar certo. Se não der, já temos que pensar em alternativas”, diz.