Site local norte-americano aposta em conteúdo caro e livre de anúncios

Por treinamento

Na contramão da maioria dos sites de notícia, que se esforçam para buscar receita em todas as fontes possíveis e oferecer planos de assinatura mais baratos para seus assinantes, o recém-lançado “The Tulsa Frontier” aposta em uma plataforma livre de anúncios e com um sistema de ”paywall” restrito e caro.

A partir de junho, quando o site definitivo for lançado, só terá acesso às reportagens o leitor que aceitar pagar uma assinatura de US$ 30, o dobro do cobrado pelo “The New York Times”, por exemplo. Por enquanto, o conteúdo está disponível gratuitamente em um site provisório.

Tulsa Frontier

Baseado em Tulsa, nos EUA, uma cidade de pouco menos de 400 mil habitantes, a proposta do site é fazer uma cobertura local e aprofundada. Seus fundadores acreditam que a produção de notícias muito relevantes e voltadas para a comunidade local irá encontrar leitores dispostos a pagar um preço mais alto do que pagariam para um jornal comum.

O modelo de negócio de assinaturas caras e conteúdo muito relevante funciona bem para diversos sites nos EUA que realizam cobertura de nicho para públicos restritos, como o Politico Pro e o The Information, mas falhou no caso do Honolulu Civil Beat, site de reportagens havaiano, que estreou em 2010 cobrando US$ 19,99 mensais pela assinatura e foi gradualmente reduzindo até os atuais US$ 4,99 mensais.

O fundador do site, Robert Lorton III, acredita que uma base mensal de 700 assinantes é o suficiente para manter o projeto operante. A meta, no entanto, é alcançar mil assinantes no primeiro ano e 2.500 ao final do segundo. Além disso, pretende arrecadar US$ 250 mil anuais com patrocinadores, apesar de garantir que o site não terá anúncios e os apoiadores aparecerão apenas listados em uma página especial.

O grande desafio é consolidar uma base fiel de leitores em um cidade média em que um quinto da população vive abaixo da linha da pobreza. Tanto é que a solução de Lorton para garantir a sustentabilidade financeira do projeto passa curiosamente por ultrapassar as fronteiras de Tulsa e cobrir também a vizinha mais rica e populosa Oklahoma City, capital do Estado de Oklahoma.