Fundador do Atavist defende design especial para histórias longas na web

Por paula

por Caroline Prado e Galeno Lima

Evan Ratliff tornou-se conhecido pela reportagemVanish, capa da revista “Wired” em dezembro de 2009, em que fingia a própria morte para discutir se é possível desaparecer em um mundo tão conectado.

A edição da reportagem no site foi, segundo ele, decepcionante: texto longo, com algumas fotos e botões no fim da página para que o leitor interessado continuasse lendo a história.

Foi isso que o levou a fundar, com outros dois amigos –o jornalista Nick Thompson, editor do site da “New Yorker”, e Jefferson Rabb, especialista em tecnologia– o site Atavist, uma mistura incomum de empresa de software e veículo jornalístico.

O site publica mensalmente a revista eletrônica “The Atavist”, que apresenta uma reportagem de acesso pago. Além disso, disponibiliza o Creatavist, uma plataforma aberta que permite a qualquer um editar seus próprios textos. A versão paga tem mais recursos.

Galeno Lima/Folhapress
Evan Ratliff, fundador do Atavist, em evento de jornalismo promovido pela revista "piauí" em 2014
Evan Ratliff, fundador do Atavist, em evento de jornalismo promovido pela revista “piauí” em 2014

Segundo Ratliff, o site foi fundado sob três princípios: reportagens longas, com mais de 5.000 palavras; novas maneiras de pagar os jornalistas e incorporar áudio e vídeo, aproveitando recursos online da melhor maneira possível. Os autores recebem um adiantamento inicial e depois ficam com metade dos pagamentos da reportagem.

“No início fizemos o erro de chamar o Atavist de multimídia”, explica. Para ele, o termo não aponta corretamente o que eles tentavam fazer. “Hoje pensamos nisso apenas como design: o melhor desenho possível para contar aquela história.” As matérias têm capítulos ou seções, “que você pode rearranjar como um lego”.

Quando o site foi fundado, em 2009, poucas pessoas acreditavam que haveria um público para reportagens longas na internet. A segunda edição foi escrita pelo próprio Ratliff, justamente pela falta de colaboradores interessados.

Chamava-se Lifted e relatava um assalto cinematográfico na Suécia, em que os ladrões chegaram até o prédio de helicóptero e foram gravados por 25 câmeras de segurança.

Hoje, sete histórias veiculadas no site já foram vendidas para Hollywood –embora nenhuma tenha virado filme. Nem todas as reportagens têm esse potencial. Uma delas, 52 Blue, fala de uma baleia que só conseguia emitir sons em uma frequência inaudível para outras baleias. Foi apelidada de “a baleia mais solitária do planeta”.

Sobre “snowfall”, especial multimídia do “New York Times” que ganhou o prêmio Pulitzer, Ratliff disse que ele e sua equipe ficaram irritados com o sucesso estrondoso da história, como se o jornal tivesse inventado o formato. Passada a raiva, concluiu que a iniciativa foi boa porque aumentou o número de interessados em “construir seu próprio ‘snowfall'”.

Ratliff anunciou que a companhia deve começar um modelo de “paywall” poroso neste mês.