Da menor das partículas ao Universo: trainees de Ciência e Saúde discutem cobertura de física

Por Sabine Righetti

Uma das principais atividades do Programa de  Treinamento em Ciência e Saúde da Folha é o contato com os cientistas.

Durante o treinamento, os trainees aprendem a conversar com pesquisadores de diversas áreas, a encontrar pautas jornalísticas no trabalho feito pelos cientistas e a “transformar” a informação científica e médica em texto jornalístico.

Trainees contam por que escolheram Ciência e Saúde

Conheça os trainees de Ciência e Saúde da Folha

Eles também trabalham com leitura de paper, produzem textos, discutem ética científica e ética jornalística,conversam com profissionais da área de ciência e saúde e com jornalistas experientes da Folha.

O programa dura um mês e tem patrocínio da Pfizer.

Em uma dessas atividades, os trainees da 2ª turma do Treinamento em Ciência e Saúde da Folha visitaram o IFT (Instituto de Física Teórica) da Unesp. O objetivo foi conversar com físicos de várias áreas sobre os seus respectivos trabalhos e, depois, discutir a informação científica recebida.

Foi um dia intenso. Física talvez seja uma das áreas do conhecimento mais complexas e amplas: vai da menor das partículas aos estudos do universo.

Uma das trainees, a estudante de jornalismo Daniela Bernardi, 24, fez um texto interessante com base na experiência, que reproduzo abaixo.

Vale a leitura!

Acelerador de cérebro

Daniela Bernardi

Talvez eu não tenha pensado tanto em física durante todo meu ensino médio como fiz durante a visita ao Instituto de Física Teórica da Unesp.

Sim, estudei aquelas fórmulas de Newton, de gravitação e de campo magnético.  Mas a visita levantou assuntos que meus professores nunca cogitaram abordar em sala –mesmo porque eles não estavam presentes no currículo escolar.

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Logo de cara, falamos sobre física das partículas elementares, com o professor Rogério Rosenfeld. Essa primeira apresentação até que fluiu na minha cabeça.

Consegui entender o básico da teoria por trás do LHC, o acelerador de partículas que ficou conhecido pela descoberta do bóson de Higgs –a partícula que forma todas as demais partículas (não vou chamá-la de “partícula de Deus” para não revoltar os cientistas).

Em seguida,  física nanoscópica, com Alexandre Reily Rocha. Sabe a tela da televisão em que você vai assistir à Copa? Então, a modernização dela está ligada a essas estruturas cada vez menores e mais rápidas e eficientes. Da sala da sua casa, essa tecnologia pode ir direto para o estudo do seu genoma. Com ela pode-se identificar os polimorfismos nos seus genes, como diabetes e câncer.

SUPERCORDAS

Quando eu achava que a teoria não podia ficar mais difícil, o físico americano Nathan Berkovits introduziu o que seriam as supercordas.

“Mas melhor nem começar a explicação porque é difícil discutir o assunto com leigos”, disse o cientista. Eu que não vou discordar. Antes do lanchinho, outro estrangeiro, o italiano Riccardo D’Elia Matheus, ainda passou o conceito de ondas gravitacionais. Algo ainda muito distante da minha realidade, eu diria.

Saímos da sala com tantas teorias na cabeça que nem o cafezinho ajudou a organizar as novidades. Meu cérebro latejava de informações. E ainda tinha mais.

Conhecemos o Núcleo de Computação Científica do IFT-Unesp, onde está o Sprace (São Paulo Research and Analysis Center).

MODERNIDADE

O armazenamento de dados em nuvem é tão moderno que nem parece estar em uma universidade pública brasileira, muitas vezes marcada pela burocracia e pelo sucateamento.

Ainda tivemos a oportunidade de conversar com Sérgio Novaes, físico brasileiro envolvido no projeto LHC, e com a física Sandra Padula, que mostrou alguns projetos de educação na área.

O dia repleto de novidades foi importante para sentirmos a dificuldade que o jornalista que cobre ciência pode enfrentar ao abordar temas tão complexos.