O modelo de negócio da BBC

Por aballes

Os trainees participantes do Desafio GREAT conheceram a sede da BBC em Londres e tiveram um bate-papo com o editor da BBC Brasil, Ricardo Acampora. Veja um pouco mais em relato de Stefanie Carlan da Silveira sobre a visita.

Visitar a sede da BBC em Londres é entrar num centro de mídia único, onde funcionam clusters que geram conteúdo para TV, rádio e internet. Um prédio inteiramente novo e moderno, de oito andares, que se conecta à antiga sede de cinco andares, numa das regiões mais privilegiadas do centro de Londres. É lá que centenas de jornalistas produzem material em 27 línguas para todos os cantos do mundo.

 Seu  modelo de negócios é diferente de outras empresas que produzem conteúdo midiático: financiamento público. Para quem não sabe, a British Broadcasting Company sobrevive por meio de uma taxa paga pela população britânica. Isso quer dizer que no Reino Unido qualquer pessoa que queira ter em casa televisão, computador, videogame, receptores digitais ou aparelhos dessa linha precisa pagar £ 145,50 ao ano _pouco mais de R$ 535_ ou corre o risco de ser presa. A taxa é única por residência, sem limite de tipo ou quantidade de aparelhos.

 O pagamento desse valor rende cerca de £ 3 bilhões anuais para a BBC, segundo o editor sênior da BBC Brasil em Londres, Ricardo Acampora. Esse dinheiro financia as operações da rede no Reino Unido e também os escritórios internacionais. No entanto, os conteúdos que vão para fora do Reino Unido possuem publicidade _inexistente no material veiculado dentro da Grã-Bretanha.

Sede da BBC, na região central de Londres

 

 

 No ano passado, a BBC inaugurou sua nova sede, com um custo de mais de £ 1 bilhão, inovando em tecnologia da informação e estrutura física de trabalho. 

 As empresas de mídia ainda não descobriram um modelo de negócios e financiamento da informação que gere lucro na internet tanto quanto é gerado nos suportes anteriores. Além disso, também é preciso manter a atenção e o engajamento do público numa era em que apenas um dispositivo conectado pode levar o público a diversas plataformas de interseção e consumo de conteúdo.

 O editor Ricardo Acampora diz acreditar que o modelo do futuro será híbrido, contando com publicidade e financiamento público, desde que nenhum destes pilares afete a independência do jornalismo. Ao pensar num modelo que possa se aplicar à América Latina, também é preciso levar em conta que a BBC nasceu em 1926, ou seja, desde então os ingleses estão acostumados a pagar para receber conteúdo jornalístico e de entretenimento de qualidade diretamente em casa. Isso, no entanto, não tem precedentes similares no Brasil. Por aqui, se quisermos adotar algo parecido, será preciso criar a cultura do conteúdo bom a preço justo, antes de qualquer coisa, algo desafiador na era do download ilegal.

O assunto é longo e deve render muita discussão ainda, até mesmo para a BBC.