A liberdade é tecnológica

Por aballes
 Por Gabriela Terenzi, uma das vencedoras do Desafio GREAT, que levou jovens jornalistas ao Reino Unido

Em nosso almoço na Summerset House, Pete Lomas explicava empolgado como um aparelho de percussão foi desenvolvido por um usuário com beterrabas e um Raspberry Pi. O Pi é o menor computador do mundo _tem as medidas de um cartão de crédito_ e custa apenas 35 dólares. Pete Lomas é seu co-criador e, com um broche da marca na lapela do casaco, não esconde o orgulho da criatura. 

 

Pete Lomas durante conversa com Gabriela Terenzi, no Reino Unido

O Pi nasceu da percepção de que os jovens de hoje não tinham mais noção de programação de computadores porque os novos dispositivos utilizam uma interface ultrassimplificada. O dispositivo criado por Lomas requer conhecimentos em programação para todos os seus comandos. “O Pi significa ser um criador mais que um consumidor”, explica Lomas.

 

A ideia inicial da fundação Raspberry Pi era financiar aparelhos para ensinar programação em escolas ao redor do mundo. Mas o Pi também se provou um sucesso comercial: são 1,5 milhão de aparelhos em circulação. Em encontros  apelidados de Raspberry Jams, usuários compartilham as fórmulas de suas invenções. Lomas considera o Pi um dispositivo democrático, graças à transparência de todos os seus procedimentos.

 

Em pesquisa feita pela campanha GREAT Britain em 2013, o Pi foi votado como uma das cinco maiores inovações que impactarão o futuro. Qual seria, então, a grande ambição de Lomas? Convencer seu filho de dez anos a deixar de jogar videogames e criar seus próprios jogos por meio do Pi. Mas, por enquanto, tem sido uma luta competir com as promessas fáceis da tecnologia.