Desafio GREAT

Por rbotelho

Leia abaixo o texto de Paulo Gomes, um dos participantes do Desafio GREAT:

 

Estados brasileiros apostam em polos de inovação

Institutos de pesquisa e parques tecnológicos estão entre as iniciativas que impulsionam desenvolvimento do país em TI

Com o crescimento econômico e político do Brasil no cenário mundial, fez-se necessário um maior investimento em tecnologia, para que o país passe a produzir mais conhecimento do que importa de seus pares. Uma das medidas tomadas nesse âmbito é o programa Ciência Sem Fronteiras, iniciativa do governo federal  que oferece bolsas de graduação e pós-graduação para brasileiros em instituições no exterior para as áreas de ciência e tecnologia.

A qualificação de profissionais em universidades de renome e vanguarda nessas áreas pretende gerar resultados ao país em médio prazo – por mais que ainda sobrem vagas no programa.

Além de contar com algumas das instituições de ensino mais conceituadas do mundo, o Reino Unido investe no desenvolvimento de start-ups, empreendedorismo digital e parques tecnológicos, o que assegura que os britânicos estejam entre os líderes mundiais quando o assunto é inovação.

O principal exemplo é a Tech City, a versão local do californiano Vale do Silício. Alocando empresas de tecnologia e propiciando um ambiente fértil para novas ideias no leste de Londres, a Tech City saltou de cerca de 15 companhias em 2008 para estimadas 5.000 em 2012. Entre elas estão desde nomes de peso como Google, Facebook, Cisco, Intel e Vodafone, até start-ups de sucesso como Last.fm e TweetDeck.

O governo local acelerou o crescimento da região, sob os cuidados do departamento ministerial de Negócios, Inovação e Habilidades (BIS). O BIS atua de forma semelhante ao Sebrae no Brasil, fomentando o empreendedorismo de pequenas empresas por meio de consultoria e incubadoras de negócios. A diferença é que o BIS é governamental, enquanto o Sebrae vem da iniciativa privada.

Semelhante ao Sebrae, mas ligada mais à inovação em si do que ao empreendedorismo, está o Nesta, com bases na Inglaterra, Escócia e País de Gales. A ideia da instituição é encorajar jovens com boas ideias, oferecendo o auxílio de profissionais que sabem como tirar aquilo do papel. “Queremos ensinar crianças a programar games ao invés de apenas jogá-los”, exemplifica seu vídeo institucional. O fomento não é direcionado apenas para crianças, que fique claro. Foi do Nesta, por exemplo, que saiu o primeiro aplicativo médico para celulares.

Outro exemplo de sucesso britânico é a Dyson, empresa que desenvolve novos produtos para o mercado, como um aspirador de pó sem fio ou sem saco de armazenamento de resíduos, um ventilador sem hélices e um secador de mãos mais eficiente e higiênico.

À sua maneira, o Brasil segue alguns desses exemplos. O Programa Start-up Brasil, do Ministério de Ciência e Tecnologia, investirá R$ 14 mi em cem projetos de start-ups – de todo o mundo, com a exigência de que se instalem no Brasil. A candidatura vai até meados de julho e o benefício tem início em 2014. Ao final do primeiro ano, as pequenas empresas escolhidas que se mostrarem estáveis receberão mais R$ 105 mi.

Polos tecnológicos no modelo da Tech City – e que disputam o título de “Vale do Silício brasileiro” – pipocam em diferentes regiões. Porto Digital, em Recife, é o maior, com mais de 200 empresas instaladas e 6.500 profissionais. Em Porto Alegre funciona a Tecnopuc, gerido pela PUC-RS. Existem também o Parque Tecnológico do Rio, na UFRJ e o de São José dos Campos (SP). Em Florianópolis, está em construção o Sapiens Parque, sob a gestão da UFSC.

Somadas às diversas instituições de pesquisa ligadas às universidades – como o IPT da USP em São Paulo, o ITP de Aracaju, fruto da Universidade Tiradentes, e o IPTI (em Santa Luzia do Itanhy, também em Sergipe) – o cenário brasileiro de inovação para os próximos anos é animador.