Neurociência para jornalistas

Por rbotelho
Por Mariana Nery, trainee de ciência e saúde
Como parte das atividades do nosso treinamento, na terceira semana do curso tivemos a oportunidade de escutar a neurocientista e também colunista da Folha de S.Paulo Suzana Herculano-Houzel, que veio nos contar um pouco sobre a história da neurociência.
Da ideia (quase herege, na época) de Franz Gall no final do século 18 de que cada parte do cérebro teria uma função específica até iniciativas atuais como o Brain (da sigla em inglês Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies), que pretende mapear todo o cérebro humano em funcionamento, muito foi respondido, muito foi revelado, mas certamente muito ainda está por ser descoberto na neurociência.
Além de buscar estudar como o cérebro se comporta individualmente, a neurociência do final do século 20 saiu dos limites cranianos e passou a incluir também o componente social em seus estudos. Nascia a neurociência social, que busca entender como o comportamento social modela e interfere nas diversas respostas cognitivas. Suzana nos deu o exemplo do interessante “jogo do ultimato” (Sanfey et al. 2003*), que por meio de regras simples mostrou que o componente social está claramente presente nas decisões que tomamos, mesmo quando aparentemente a decisão racional parece ser a mais lógica.
O pouco tempo que tivemos com a brilhante neurocientista Suzana ampliou de forma definitiva nossos olhares para o cérebro. Se as duas horas de palestra não foram suficientes para que ela nos explicasse como o nosso cérebro funciona, bastaram para instigar nossa curiosidade a respeito dessa área da ciência ainda tão misteriosa para a maioria de nós.
*Sanfey, A.G. et al. 2003. The neural basis of economic decision-making in the Ultimatum Game. Science, 300: 1755-1758.