Aqui jaz uma pauta

Por rbotelho

Por Giulia Lanzuolo, trainee da turma 55

Sábado à noite eu esperava chegar meu ônibus de sempre numa plataforma improvisada em consequência das obras nos entornos do metrô Santa Cruz. Era quase meia-noite e, depois daquele ônibus, só amanhã de manhã. Mesmo. Mas uma luz forte e uma aglomeração de pessoas do outro lado da rua me fizeram desviar do caminho usual.

Atravessei a avenida e, quando cheguei do outro lado, a festa estava acabando. Desde as 20h30 acontecia ali, em frente ao Colégio Arquidiocesano, uma rinha de MCs, conhecida como Batalha do Santa Cruz. Comecei a conversar com um dos artistas, que vendia seu álbum lá. Ele contou a trajetória do evento, que acontece há sete anos, todo sábado, naquele horário. Também disse, com orgulho, que figuras conhecidas da cena do rap nacional, como Emicida, tinham sido lançadas ali. 

Na hora, pensei empolgada: “Aqui há uma pauta”. Peguei contatos, fiz perguntas, comecei a pensar no lide. No dia seguinte, domingo, a primeira coisa que fiz ao chegar no plantão foi checar se alguém já tinha publicado aquilo. Nesses dois meses de trainee aprendi que, se há uma coisa que editor detesta, com razão, é sugestão de pauta que já fizeram.

À primeira busca do Google, ninguém tinha tocado no assunto. Ufa. Melhor pesquisar outra vez. Dois “searchs” depois, ali estava a pauta que eu tinha pensado, prontinha, feita por um colaborador da Folha há tempos. Nunca superestime seu faro para pautas. Com a experiência de quem tem alguns poucos meses de jornalismo nas costas, toda ótima ideia é questionável. Ali jazia uma pauta.