O novo e a esfinge

Por rbotelho

Por Úrsula Passos, trainee da turma 55

– Retranque este texto.
– Escreva um lide mais atraente.
– Prepare um abre de 6, com lupa e linha fina, e uma sub.
– Essa pauta não vende.
– Isso vale uma suíte!

Para uma trainee que, como eu, não estudou jornalismo – cursei filosofia na faculdade – essas frases apresentam-se como verdadeiros enigmas da esfinge.

Decifra-me ou devoro-te.

Em meio a aulas de matemática, palestras, aulas sobre sistemas para artes, fotos e textos jornalísticos, conversas com fotógrafos e repórteres e tarefas diárias, o esforço é tremendo para aprender e absorver tudo de novo que aparece pela frente.

E, do momento em que pisei no prédio da Folha para a prova da segunda fase de seleção para o programa de treinamento, até agora, minhas anteninhas de vinil não param de captar coisas novas. Não só todo um dicionário de palavras que ganham outros sentidos, como também a surpresa agradável de sentir uma emoção diferente ao estar numa Redação e a admiração por profissionais que encaram guerras, apuram denúncias, ajudam o leitor a se divertir na cidade ou prestam uma homenagem a pessoas comuns com um obituário que será lido por milhões.

Em 27 de janeiro, quando estive pela primeira vez na Redação de um jornal, aqui na Folha, tive a certeza de que não me deixaria ser devorada. Sigo decifrando.