Os vários lados

aballes

Por Juliana Gragnani, trainee da turma 54


Para uma amante de sotaques, estar rodeada por eles o dia inteiro é um privilégio. Passados três meses de treinamento, meu ouvido acostumou-se à pronúncia sibilante de Niterói, ao “gauchês” e ao modo pausado e tranquilo de falar dos mineiros.

Somos 12 trainees: sete de diferentes cantos do Brasil e cinco de São Paulo — sendo que um nasceu na Bolívia. Sete de nós são jornalistas; os outros cinco têm outras formações.

Em tempos em que sair da Redação é (infelizmente) cada vez mais uma raridade, a convivência em um núcleo tão diverso no ambiente de trabalho é extremamente enriquecedora, principalmente para um repórter.

A vantagem de trabalhar em um grupo composto por pessoas de diversas formações e origens não se limita à disponibilidade de um quase-advogado entre nós, a quem sempre recorremos nos momentos de dúvida jurídica. Tampouco tem seu mérito unicamente no fato de termos praticamente uma comissão própria de historiadores – três, no total – ou a presença de um filósofo e um publicitário.

Em nossa primeira semana de treinamento, fiz plantão em “Cotidiano” com o Joelmir. Mineiro, me ensinou muito naquele dia sem exatamente dirigir-se a mim: foi observando as entrevistas que fazia por telefone que entendi a importância e as vantagens em manter a tranquilidade, mesmo em um ambiente caótico como a Redação.

Da mesma maneira, aproveitei a presença dos “forasteiros” para aprender um pouco, por exemplo, sobre o cenário musical de Brasília, com o Miguel, ou para trocar ideias sobre Pelotas e sua “Estética do Frio” (reportagem da Ilustríssima)

 

 com a Giuliana, que é do Rio Grande do Sul e conhece a cidade. Isso sem contar o aprendizado com o olhar precioso de quem é de fora de São Paulo e passa a perceber coisas da cidade a que nós, como paulistanos, estamos acostumados.

O mais bacana em fazer parte de um grupo que é diverso e que, além disso, se dá muito bem, é a troca de ideias e experiências, que se complementam e se contrapõem. O ideal da Folha de sempre expor o “outro lado” é uma constante natural entre nós.

Tenho aprendido diariamente no programa de treinamento, mas um dos ensinamentos de mais valor que levarei dos meses juntos ao grupo de trainees será certamente o apreço pelo trabalho em grupo – principalmente naqueles em que reina a diversidade.

Comentários

  1. Me identifiquei com o texto, inclusive “curti”, pelo fato de também ser apaixonado por sotaques, por outros lugares e, principalmente, pelo Brasil. Um dos motivos que me levaram ao jornalismo foi esse contato com pessoas e com culturas diferentes. Espero um dia passar por ai, Juliana Gragnani.

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