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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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A santíssima trindade da redação jornalística

Por Paula Leite

Por Rayanne Azevedo, 23, trainee da turma 54

Há um mantra da Folha do qual gosto bastante: “clareza, concisão e precisão”.

Parece óbvio, e é: qualquer empresa ou profissional que viva da informação que produz deve perseguir essas qualidades –obsessivamente até, eu diria. Do contrário, desvirtua-se o propósito do ofício jornalístico.

Óbvio, mas não necessariamente fácil de pôr em prática. Especialmente quando envolve a palavra escrita.

Somente quando nos vemos diante da necessidade de usá-la para exprimir um acontecimento ou uma ideia é que nos damos conta disso. É muito mais fácil errar do que acertar na intenção comunicativa.

Isso porque, às vezes, há uma diferença entre aquilo que se pretende dizer e aquilo que transmitimos de fato na correria do dia a dia. Ou isso ou é o vocabulário adequado que nos falta, induzindo-nos ao erro de atravancar o texto com palavras desnecessárias, imprecisas ou obscuras; tudo na vã tentativa de se fazer entender.

A respeito do assunto, Fabricio Corsaletti, nosso professor de oficina de texto, nos recomendou um excelente texto do escritor George Orwell (“A política e a língua inglesa”, do livro “Como morrem os pobres e outros ensaios”) –que, apesar do título, também faz muito sentido para os falantes da língua portuguesa.

Nele, Orwell diz que um escritor escrupuloso, em cada frase que escreve, irá se perguntar: “O que estou tentando dizer? Que palavras o expressarão? (…) Posso dizer isso de maneira mais curta? Eu disse alguma coisa de uma feiura evitável?”.

Escrever bem não é só uma questão de eficiência: é também uma questão de opção política. Qual o propósito de informar, se não o de fazê-lo de forma a facilitar a compreensão por parte do maior número de pessoas possível?

A língua, diz Orwell, deve servir de “instrumento para expressar, e não para esconder ou impedir o pensamento”.

De nada serve ter um domínio excepcional de um determinado assunto ou apurar brilhantemente. Se há dificuldade em passar a informação adiante com clareza, concisão e precisão, nem um título de doutor salva.

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