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Programa de Treinamento

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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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O Fabio não aceitou

Por Cristina Moreno de Castro

Outro dia perguntamos aqui no blog se é válido aceitar um estágio, mesmo sem ser remunerado.

Tivemos comentários radicalmente contra a ideia e outros mais ponderados ou favoráveis. Todos muito bons, vale a pena ler.

O professor MARCELO SOARES deu uma fórmula que serve para todos os casos de escolhas que formos viver pela vida afora (já fiz isso até para achar um lugar para morar, vejam só):

“Isso é um cálculo de prós e contras que ele precisa pesar. Cada um dá importância a um conjunto de fatores, então o que é importante pra mim nem sempre é importante para ele.

Eu gosto de resolver essas coisas de maneira analítica. Pense em dividir os aspectos das coisas em itens e atribuir pesos a eles, positivos ou negativos. Tipo:

1) Se você trabalhar de graça, vai faltar dinheiro para pagar a mensalidade da faculdade ou para as despesas de casa? (Sim negativo, não positivo)

2) O tempo que esse trabalho demanda te permite assistir às aulas na faculdade sem ser prejudicado nos horários? Mesmo? Se prejudica, vale o risco? (Se não prejudica, positivo. Se prejudica e não vale o risco, negativo. Se prejudica e vale o risco, positivo só que um pouco menos.)

3) Você conversou com ex-estagiários desse lugar pra saber se a experiência vale a pena? Ou seja: estagiário lá aprende jornalismo ou aprende a buscar lanche para os chefes? (Se aprende jornalismo é positivo, se aprende a buscar lanche é negativo)

4) Você gosta do trabalho que eles fazem lá? Tem gente que você admira? Eles vão te receber bem? (Se sim positivo, se não negativo.)

E segue o baile elencando fatores e atribuindo pesos positivos ou negativos.

É legal inclusive atribuir um peso: se você considera o aprendizado mais importante que o pagamento, dê um peso 2 (ou 3) ao aprendizado e peso 1 (ou 2) ao pagamento, dando sinal positivo ou negativo conforme se adapte ou não às suas expectativas.

Use uma planilha e some tudo no final. Se o saldo final for positivo, vá. Se for negativo, não vá.

Eu já fiz cálculos assim pra decidir se pedia ou não demissão de um emprego antigo (pedi) e para decidir se ia ou não morar no exterior (não fui).”

Ou seja, o fato de não ser  remunerado, por si só, não pode ser um impeditivo definitivo para aceitar a proposta. Afinal, o objetivo de um estágio (a princípio) é o aprendizado, não a produção. Esta virá depois, quando o sujeito for contratado. Claro que a gente sabe que, na prática, muitos estagiários já cumprem a função dos profissionais e são cobrados por ela, mesmo sem receber proporcionalmente. Não deveria ser assim e, nesse caso, é melhor mesmo fugir. Mas a listinha dos prós e contras é sempre o que vale, no fim das contas, porque, ao recursarmos uma oferta, temos que avaliar quais as chances de ter outra oportunidade melhor.

Pelo visto, foi o que o leitor Fabio Dorneles, que nos trouxe o caso, fez. E, ao recusar o estágio não-remunerado, teve a felicidade de conseguir outras oportunidades melhores, vejam só:

“Respondi o e-mail agradecendo e informei que não poderia aceitar. Ainda bem: depois daquela tentativa consegui duas propostas, desta vez com remuneração: em uma já fiz a entrevista e está por minha conta aceitar ou não. Na outra, a entrevista é amanhã.

A diferença entre as duas proposta está mesmo no tamanho do jornal: enquanto um é de médio porte, tendo uma boa tiragem, conhecido e consolidado na região, o outro é um pouco menor mas com potencial, além de ser mais próximo de casa. A grana é igual: R$ 1.000,00 nos dois veículos (o que não está ruim por 6h de trabalho).”

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