“Aceito o estágio mesmo sem pagamento?”

O leitor Fabio Dorneles nos procurou para perguntar se deveria aceitar trabalhar em um estágio não remunerado. Ele havia procurado em um jornal, aproveitando que é ano de eleições municipais e queria ter a experiência de cobrir as disputas políticas, mas ficou surpreso com a resposta, que dizia que todas vagas de estágio não são remuneradas.

E aí, vocês acham que vale pela experiência, ou o pagamento é fundamental?

Comentários

  1. Acho válido sim, desde que o interessado ao estágio tente negociar com os empregadores ao menos alimentação se necessário e o transporte. Se não é pagar para trabalhar. A nossa classe já é muito mau paga. E se aceitarmos tudo assim como eles querem, não seremos reconhecidos nunca.

  2. Eu fiz estágio não remunerado por 6 meses e agora f contratada pela empresa, eu acho que valeu muito a pena, mesmo se não tivesse conseguido o emprego o que aprendi lá foi muito importante.

  3. Eu acho que vale a pena sim e não só por causa da experiência no jornalismo. Trabalhar nos traz crescimento e amadurecimento, e isso vai nortear nossas decisões e ações futuramente, independentemente do conhecimento prático da profissão. Em todos os lugares que atuamos, aprendemos a estar juntos a pessoas diferentes, situações inusitadas, aprendemos a tomar decisões… É um alicerce necessário.

    Acho que devemos pensar sim no estágio como uma vitrine, mas a função dele é bem além disso. É crescer, saber, de fato. É mais do que currículo ou dinheiro. Somos nós mesmos nos confrotando com o que somos e o que queremos ser.

  4. Mesmo com todos os contras, acredito que a experiência, conhecimento e amor pelo que se faz estão acima de todas as coisas. Sei que na hora do aperto nenhuma dessas coisas enche barriga, mas ainda assim, mesmo no perrengue, eu optaria por aprender.

  5. Acredito que, temporariamente, o estágio não remunerado possa ser útil. Fui estagiário voluntário de uma TV universitária e, durante o período, aprendi muitas coisas importantes que me deram bagagem para conseguir estágios melhores (e também remunerados). Vale a pena sim, desde que não seja “eternamente”, afinal, precisamos comer, né? haha

  6. Valeu Hidaiana e Wilian…

    Hidaiana, por um grande veículo ou de grande prestígio acho que vale sim…

    Wilian, falei sobre a cobertura política por que, além de estarmos ás vésperas de um pleito (e as oportunidades aumentam nessa época), na minha região os jornais dão muita atenção para política local. Percebo que as editorias mais fortes dos impressos daqui são, política e cotidiano, o que pode render alguma experiência ao aprendiz.

    E você tem razão quanto á preparação para a cobertura política, isso leva tempo, dedicação e grana.

    Abraços…

  7. Cris, mais uma vez, obrigado pela força.

    Rogério, Marcelo, Arlison e Danilo, obrigado pelas opiniões. Elas ajudam a reforçar minhas próprias opiniões sobre a questão.

    A menos que seja um grande veículo (grande mesmo), não acho que valha a pena. A vitrine tem que ser muito boa para que o sujeito pague para trabalhar em uma empresa.

    No caso do estágio não-remunerado, respondi o e-mail agradecendo e informei que não poderia aceitar. Ainda bem: depois daquela tentativa consegui duas propostas, desta vez com remuneração: em uma já fiz a entrevista e está por minha conta aceitar ou não. Na outra, a entrevista é amanhã.

    A diferença entre as duas proposta está mesmo no tamanho do jornal: enquanto um é de médio porte, tendo uma boa tiragem, conhecido e consolidado na região, o outro é um pouco menor mas com potencial, além de ser mais próximo de casa. A grana é igual: R$ 1.000,00 nos dois veículos (o que não está ruim por 6h de trabalho).

    Amanhã vou poder decidir…

    Grande abraço…

  8. Ah, é uma decisão tão pessoal. Se a pessoa não possui nenhuma experiência profissional no currículo, acho que vale a pena arriscar para adquirir conhecimento e aprendizado. Depois ele pode procurar outra coisa…
    Eu já aceitei estagiar numa emissora que ficava numa cidade diferente da minha, não ganhava tão bem e ainda tinha que custear o transporte, mas valeu a pena, pois aprendi muita coisa e a empresa tem prestígio. Fez uma diferença gigantesca no meu currículo. Sem contar que fiz contatos profissionais excelentes e ampliei minha visão sobre o jornalismo.
    Cada um deve avaliar as condições que recebe.

  9. Pessoal, o assunto é muito bom e, por isto, eu gostaria de ampliar um pouquinho. Jornalismo é algo complicado, sobretudo quando se fala em fazer carreira. E, no caso do nosso colega, tem mais coisas a serem colocadas na prancheta de cálculo antes de se tomar uma decisão! Acho que a principal delas é a possibilidade de ser empregado como jornalista quando terminar a faculdade, especialmente para quem está tentando a primeira vaga e não fez um estágio. Neste caso, vale muito a pena fazer custear o estágio, para não jogar (ou correr o risco de jogar) 4 anos de estudo e dinheiro no lixo. Mesmo assim, é preciso ver se ele precisa de dinheiro para bancar a faculdade, em qual ano da faculdade está e se tem a possibilidade de conseguir outros estágios, talvez melhores na cidade onde mora. Agora, se o problema for apenas a experiência com cobertura política, aconselho o colega a ter um pouco de mais de calma. Afinal esta é uma área complicada e cobrir o assunto de graça para um jornal regional não o deixará em condições de no futuro cobrir o tema para um grande jornal. Em outras palavras, a preparação para se tornar um repórter de política é muito maior e passa por uma série de aprendizados que não são exatamente os que este jornal regional e a cobertura de um pleito eleitoral darão. Neste caso, acoselho o rapaz a dedicar seu tempo e dinheiro ao aprendizado de história, sociologia, direito, e acompanhamento dos cadernos de política. Já com relação à prática profissional, ele pode cobrir outra área por enquanto, como Cidades, Esporte, Economia…. porque um bom jornalista é um bom jornalista. E, mudar de editoria faz parte do jogo. Aliás, a cobertura política exige uma certa experiência que ele pode ganhar cobrindo estas áreas. Depois, o cara pode migrar para a área que ele quiser.

  10. Acho que o Marcelo definiu bem a questão, embora seu raciocínio seja tão matemático que me soou como o Dr. Spock, ou o Hal 9000… rs. Brincadeira à parte (vai crase nesse “a parte”?), confesso que já aceitei fazer trabalhos de graça e ainda hoje aceito trabalhos pra ganhar bem pouquinho. Mas tenho com isso um objetivo claro: fazer network e ampliar portfólio. Portanto, acho que se resume não no que lhe é oferecido, mas no que você espera com aquilo, onde vai te levar e se é para onde você quer ir. Mais que o imediato, vale pensar adiante e, claro, pesar tudo, como bem explicou o Marcelo 9000… rs.

    1. Acho que tem crase sim, rs.
      Estou adorando todos os comentários, mas, como todos os posts da seção “O Blog Pergunta”, não vou responder um a um pra não prejudicar o debate e, depois, faço um apanhado de tudo o que foi dito para o post de resposta, ok? 🙂

  11. A pessoa que edita esse jornal deveria ter vergonha na cara, a Delegacia Regional do Trabalho precisa saber disso o quanto antes, se eu soubesse o nome da cidade e do jornal, eu mesmo ia encaminhar uma denúncia direto para o Ministério do Trabalho aqui em Brasília.
    A lei diz que “a remuneração do estágio e a cessão do auxílio transporte são compulsórias (obrigatório) , exceto nos casos de estágios obrigatórios. O valor do auxílio pode ser parcial, entretanto, a Legislação do Estágio não prevê o desconto de 6% sobre a remuneração do estágio.
    Passado o desabafo, jamais aceite esse tipo de condição. Você se esforça na faculdade, custeia todas as despesas do curso, etc. Por isso, quando de um estágio, precisa ser recompensado pelo seu trabalho e ponto. Não tem essa de trabalhar de graça nem pela experiência.
    Se não houver alternativa, crie um blog, como se trata de uma cobertura eleitoral, onde todos os candidatos só querem aparecer, o acesso que você teria atuando de graça no jornal, você também pode ter com seu blog. Isso é fato! Eu não vou entrar no mérito da independência editorial na qual no jornal você com certeza não vai ter, enfim.
    Se for um pouco além, pode até conseguir patrocínio de uma empresa local para te manter com transporte e alimentação na rua.

  12. Isso é um cálculo de prós e contras que ele precisa pesar. Cada um dá importância a um conjunto de fatores, então o que é importante pra mim nem sempre é importante para ele.

    Eu gosto de resolver essas coisas de maneira analítica. Pense em dividir os aspectos das coisas em itens e atribuir pesos a eles, positivos ou negativos. Tipo:

    1) Se você trabalhar de graça, vai faltar dinheiro para pagar a mensalidade da faculdade ou para as despesas de casa? (Sim negativo, não positivo)

    2) O tempo que esse trabalho demanda te permite assistir às aulas na faculdade sem ser prejudicado nos horários? Mesmo? Se prejudica, vale o risco? (Se não prejudica, positivo. Se prejudica e não vale o risco, negativo. Se prejudica e vale o risco, positivo só que um pouco menos.)

    3) Você conversou com ex-estagiários desse lugar pra saber se a experiência vale a pena? Ou seja: estagiário lá aprende jornalismo ou aprende a buscar lanche para os chefes? (Se aprende jornalismo é positivo, se aprende a buscar lanche é negativo)

    4) Você gosta do trabalho que eles fazem lá? Tem gente que você admira? Eles vão te receber bem? (Se sim positivo, se não negativo.)

    E segue o baile elencando fatores e atribuindo pesos positivos ou negativos.

    É legal inclusive atribuir um peso: se você considera o aprendizado mais importante que o pagamento, dê um peso 2 (ou 3) ao aprendizado e peso 1 (ou 2) ao pagamento, dando sinal positivo ou negativo conforme se adapte ou não às suas expectativas.

    Use uma planilha e some tudo no final. Se o saldo final for positivo, vá. Se for negativo, não vá.

    Eu já fiz cálculos assim pra decidir se pedia ou não demissão de um emprego antigo (pedi) e para decidir se ia ou não morar no exterior (não fui).

  13. Caso não dependa, como eu, do que ganha com seu emprego, sim, vale a pena. Além da experiência, o estágio é vitrine e, portanto, um meio de chegar aos contratantes que pagam.

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