Ser crítico não é ser mal-educado

A reflexão de hoje é da trainee Leticia Mori, que fala sobre a linha fina entre ser crítico e ser agressivo e com qual método se consegue melhores resultados.

No começo da faculdade, entrevistei, com alguns colegas, um deputado ruralista com quem não simpatizávamos nem um pouco. Como todo mundo era muito tímido, eu fui a única a fazer perguntas mais ácidas. Achei que estava agindo da maneira certa, mas acabei sendo agressiva demais. Resultado: o deputado escorregou como um sabonete, deu respostas vazias.

Relembrei desse episódio conversando com os jornalistas da sucursal de Brasília da Folha na semana de palestras [etapa da seleção para o programa de treinamento]. E o conselho que eles deram me fez repensar certas atitudes e procedimentos. É engraçado como a gente trabalha muito e pára pouco para pensar sobre o que está fazendo.

Nós, jornalistas, temos mesmo que ser críticos, não podemos ter medo ou vergonha de fazer perguntas ‘afiadas’, que confrontem a versão do entrevistado ou que possam ser constrangedoras.  

Mas ser agressivo é postura incorreta. Perguntas acusatórias não levam você a lugar nenhum. Elas podem até funcionar se o objetivo é colocar o entrevistado contra a parede – em uma sabatina, um debate – mas não servem para o principal: obter informações.

Se você deseja realmente descobrir a opinião da pessoa sobre um assunto, a atitude que ela tomou em determinado momento etc., a educação e a perspicácia funcionam mais do que agressividade. “

Comentários

  1. Sou estudante de jornalismo da USP. Me lembro de um episódio parecido: tivemos aula com um professor que nos levava para entrevistar jornalistas em redações. Fomos pra Folha, Caros Amigos e Brasil de Fato. Na Folha e na Caros Amigos, rolou um debate legal. Mas lembro que no Brasil de Fato a sala se exaltou. A maioria ali não concordava com o jeito que eles fazem jornalismo. Mas ao invés de fazermos perguntas “críticas”, fazíamos perguntas “inquisitórias”. O clima não foi nem um pouco legal.

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