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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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Jornalismo, vocação e talento

Por Paula Leite

A trainee Daniela Arai escreve hoje sobre a decisão de mudar de carreira, tentando o jornalismo. Ela faz uma reflexão interessante sobre a importância do talento e da vocação na carreira que escolhemos.

“Como vários trainees desta turma, não tenho diploma de jornalismo. Sou formada em letras e tranquei o curso de filosofia no quinto semestre. Trabalhei como professora durante algum tempo e, no começo deste ano, resolvi jogar tudo para o alto. Eu estava infeliz.

Essa não foi uma decisão irresponsável. Durante um ano me preparei, juntei dinheiro, respirei fundo e procurei realizar da melhor forma possível um trabalho que me matava. Mais que fazer uma poupança para me sustentar, meu objetivo com esse ‘ano-teste’ era ter certeza de que aquilo não era o que eu queria. Sou do tipo de pessoa que teima consigo mesma.

Teimei enquanto pude. Desisti e parti para a elaboração dos planos de reviravolta. A Folha era o plano A, mas eu tinha também um plano B, C, D etc. Todos com a mesma meta geral: fazer algo para o que tenho talento e vocação.

No livro ‘Jornalismo Diário’, a Ana Estela explica que talento é um dos fatores para se ter sucesso na profissão, sendo que conhecimento e experiência completam a tríade. Eu acrescentaria a vocação como um dos fatores para ser feliz na carreira, entendendo vocação e talento como coisas diferentes.

Talento é um dom, vocação é um chamado. É possível que alguém tenha todas as qualidades para ser um ótimo piloto de Fórmula 1, mas queira mesmo ser um compositor de marchinhas. Habilidade e desejo nem sempre andam juntos.

Digo isso para explicar que meu maior medo em relação ao jornalismo não era descobrir que não tenho talento, mas descobrir que não tenho vocação. Era entrar numa redação e não sentir desejo de fazer parte dela (e mesmo quem cursou jornalismo não está a salvo dessa decepção). Afinal, qualidades todos temos em algum grau. Conhecimento podemos adquirir com dedicação. Experiência com o tempo. Mas o desejo não se adquire em parte alguma.  Não gostar é quase sempre irremediável e eu já tinha tido uma prova disso.

Felizmente, esse temor começou a dissipar-se já na semana de palestras, quando pude ter um gostinho do jornalismo da Folha (aliás, para quem está indeciso, a semana é uma verdadeira prova de fogo, uma experiência válida por si só).

O que restou da insegurança desapareceu durante as primeiras semanas do treinamento. Quando me sentei para responder ao formulário de autoavaliação preparado pela Paula e pela Iza, me dei conta, feliz da vida, que estava gostando muito de aprender e praticar jornalismo. ‘Ufa!’, pensei, ‘a partir de agora o sucesso e a satisfação vão depender ‘só’ de dedicação e paciência’. Parece muito, e é, mas com vontade e gosto fica muito mais fácil.

Para quem está pensando em mudar de carreira e não sabe se vale a pena, ou não sabe se este é o momento certo, sugiro o seguinte: estabeleça um tempo para avaliar a sua situação, programa-se financeiramente, trace vários planos, inscreva-se em vários projetos, feche os olhos e se jogue!”

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