Dicas para jornalistas que querem reaprender matemática

Como prometido, segue a resposta do MARCELO SOARES para a dúvida da Fabiana, postada ontem. Ele dá um verdadeiro passo-a-passo para quem quiser voltar a estudar matemática depois de “velho”:

“Em São Paulo, não conheço um curso específico; ouvi falar de uma ou duas especializações, mas não faço ideia da qualidade delas.  Ainda assim, existem jeitos de estudar por conta própria.

Fazer as pazes com a numeralha se compara à arte apenas num ponto: não dá pra pintar a Mona Lisa sem antes desenhar o que tem no quarto. É dedicação gradual.

Se ela vem “verde” de afinidade com números pra mergulhar de cabeça na estatística, pode acabar se assustando no primeiro cálculo de desvio-padrão. Matemática é gradual – soma auxilia subtração, ajuda na multiplicação, que dá lógica à divisão, que é e base das frações, que podem virar decimais, que se tornam percentagens e assim segue o bonde. Por isso, acho que primeiro vale a pena refrescar a memória do que viu na escola.

Uma boa maneira de fazer isso é comprar aqueles fascículos de banca voltados para o Enem. Fazer todos os exercícios e ir vendo onde estão suas dificuldades. Depois fazer mais exercícios. Outra possibilidade é o “Matemática para pais e filhos”, que saiu pela Publifolha. Mas gosto das questões do Enem, que lidam muito com os números do noticiário, e essas estão nos fascículos. Quando eu editei fascículos assim, em 2010, tudo o que ela precisava para ficar à vontade estava no volume 1 (de 3). Mas cada editor tem um critério.

Quando estiver bem à vontade com matemática do ensino fundamental e médio (que ela já viu antes, então não deve tomar muito tempo o refresco de memória), ela pode comprar o livro “Estatística Aplicada a Ciências Humanas“, de Jack Levin. E fazer todos os exercícios, capítulo por capítulo, com lápis e papel, calculadora quando complicar. Os exercícios são muito bons e bem realistas.

Se o seu inglês for bom, recomendo o livro “All the math you’ll ever need“, de Steve Slavin, para os exercícios de matemática básica. Ele é bem didático e tem muitos exercícios. Bem razoável pra ir construindo aos poucos. Minha diversão no final do ano foi ficar sentado à sombra na praia fazendo exercícios dele com lápis e papel.

Aí, também se o inglês dela for bom, recomendo procurar no iTunesU o curso “Introduction to statistics“. É muito bom e gratuito. Boas aulas em vídeo, excelentes exercícios e o livro didático “Collaborative statistics” é gratuito e tem exercícios ainda melhores.”

E as dicas dos leitores do blog:

MARCEL – “Vale uma olhada no didatismo deste site: http://www.profcardy.com/cardicas/. Para algo mais específico, há vídeo-aulas no http://www.veduca.com.br, que congrega matérias de faculdades de vanguarda dos EUA – e vários deles são legendados.”

TATIANA – “Não conheço cursos voltados para jornalistas, mas vou indicar dois aplicativos que uso no meu iPad e são ótimas fontes de conhecimento: iTunes U e Khan Academy. No iTunes U, há cursos em inglês, espanhol e português. Sugiro pesquisar por universidades. A Khan Academy já conta com alguns vídeos em português, mas todos os vídeos são legendados, o que facilita o acompanhamento.”

TIETRI – “Recomendo a leitura de INNUMERACY: MATHEMATICAL ILLITERACY AND ITS CONSEQUENCES de John Allen Paulos. Houve uma tradução da Nova Fronteira com o título ANALFABETISMO EM MATEMATICA E SUAS CONSEQUENCIAS, mas parece estar esgotada.”

DANIELA – “O Knight Center oferece um curso de Matemática para Jornalistas.”

Comentários

  1. Fantástica a preocupação em aprender matemática. São comuns os erros relacionados ao assunto. Além da ótima dica de livros, mencionada acima, recomendo o autor Alex Bellos – “Alex no país dos números”.
    Apesar do título infantil ( em certo aspecto é) o livro é excelente para se mudar de um raciocínio matemático “mecânico” -aprendido na escola- (cardinal->fazer contas) para um raciocínio matemático “abstrato” (ordinal ->dar dimensões).
    Recomendo SEMPRE (para aqueles que já têm conhecimento matemático) o fantástico “útimo teorema de Fermat”. Neste livro você percebe a razão pela qual algumas religiões (hindus e israelitas) consideram a matemática parte da comunicação com o divino.
    Precisamos incentivar MUITO o aprendizados de matemática. Torço que desperte o interesse dos jovens.
    Excelente a ideia do post. Ramiro

    1. O do Fermat eu já li e Alex no País dos Números ganhei de presente e tá na minha fila 🙂
      E tem o clássico “O Homem que Calculava”, mas que é melhor ler mais criança, né?

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