Tenho um estilo meio Sandy

Faz um tempo uma leitora perguntou se erra ruim falar muito (veja aqui).

A pergunta agora é oposta:

Eu vi lá no blog sobre a guria que falava demais e eu queria te perguntar o contrário:
como faz a pessoa que fala pouco?

Eu não sou tímida (mas todo mundo fica falando e acha que eu sou), eu sou calada, na minha, não gosto de conversar coisas do dia a dia e tal. Falo baixo, não gosto de manifestar minha opinião em reuniões.

Isso prejudica?

Porque o  pessoal me diz que repórter não é assim, que tem que ser mais cara de pau. Mas eu faço qualquer coisa, entrevisto qualquer pessoa, só não gosto de ficar enturmada nem tomar a frente nas coisas…

Será que podem duvidar da minha capacidade por isso?

Em entrevista pra emprego e tal, eu não sou daquelas que fica falando e falando, sabe?…

Nem sou a primeira falar, não faço pergunta, enfim…. mas não é por timidez, é da personalidade msm, entende?

Meu chefe me falou uma vez que eu não me imponho, fico apagada, mas eu não gosto, eu não sou assim de ficar falando, nem de participar.

E também tenho um estilo meio Sandy sabe… sou assim mais meiga e até um pouco manhosa. Isso prejudica? A jornalista tem que ser mais agressiva, mais tipo mulher, sei lá?

Você é tímido e também acha que isso atrapalha?

Tem colegas do tipo Sandy * ? Acha que elas deveriam ser mais agressivas?

Por quê?

(*) Mas é a Sandy da primeira fase, tá? Como a da foto. Não é a nova Sandy.

Depois de responder (mas só depois, em! 😉 ), talvez você queira ler as dez dicas contra línguas soltas.

Comentários

  1. Eu acho que prejudica sim. Nas duas primeiras entrevistas de estágio que tive, fiquei muito “na minha”, com medo de falar bobagem, e até demonstrando certo nervosismo. Acabei não sendo chamada. Nas outras, tentei mudar esse comportamento, e ganhar a simpatia e a confiança das pessoas que estavam fazendo a seleção. Agi com mais naturalidade. E fui chamada. Acho que, não só para o jornalismo, como para qualquer outra profissão, ajuda muito fazer amizade com os colegas de trabalho e com as pessoas que você for atender (no nosso caso, as fontes). Como já dizia o velho ditado popular, “quem tem boca vai à Roma”.

  2. Eu sou o tipo de pessoa que sempre foi tímida e que detestava até mesmo atender o telefone de casa, mas com a escolha da profissão eu tive que superar meus medos e inseguranças para conquistar o meu espaço.
    No entanto, continuo não sendo a primeira a falar, mas detesto ser a última. E tento observar tudo que está a minha volta para que quando eu tiver que abrir a boca seja pra falar algo coerente com a situação.
    De qualquer maneira, eu acredito que não devemos mudar a nossa personalidade por conta dos outros ou dos estereótipos, mas encontrar um equilíbrio que nos faça sentir segurança no que estamos fazendo. E isso hoje eu tenho e acredito que todos podem ter, basta se aceitar e se lapidar.

  3. Adoro os tímidos. Minha mãe, namorado, irmã – de quem eu vou falar já – e muitas amigas são pessoas que falam pouco e quase nunca na presença de estranhos. Há uma grande diferença entre ser tímido e ser “tapado” – não sei se no resto do Brasil se usa este adjetivo, que aqui em Salvador significa, simplificando, besta, tonto, lerdo. Eu sempre falei muito e com muitas pessoas sobre todos os assuntos por um motivo simples: adoro conversar e acho fácil. Mas ser na sua, com uma personalidade que não exige muito falatório, é um negócio que se deve respeitar, e a pequena Sandy, em pauta aí, parece estar muito bem com essa característica dela. Penso muito sobre isso porque tenho uma irmã gêmea, que também trabalha com comunicação, que é extremamente calada e às vezes um pouco tímida. Com o tempo ela melhorou a timidez, mas não o fato de ser calada. A característica mais conhecida dela é sempre abrir a boca pra falar coisas na medida, os comentários mais cirúrgicos, perfeitos. Imagine que chique ser conhecido por isso! Provavelmente o comentário dela aqui no blog tivesse três linhas e fosse muito mais útil que o meu. Repare, agora, como existem também muitos faladores que reclamam da tagarelice 🙂 Eu também sempre ouvi dizer que ser falante é o “perfil ideal do jornalista”. Não sei se é bem assim, mas o que não pode é se apavorar com a possibilidade de falar com um estranho a trabalho, porque vamos fazer isso pelo resto da vida.

    1. Também acho bem mais chique esse pessoal que faz comentário cirúrgico. Significa que têm um poder de concisão extraordinário 🙂

  4. O legal do jornalismo é que ele força a gente a falar com outras pessoas. Mesmo que sejam os colegas. Dificilmente você vai virar a alma de uma festa, mas com o tempo, a timidez vira uma mera falta de jeito. Aí você acha algumas maneiras de contornar para o que precisa. Por exemplo: se você se expressa melhor por escrito mas fica sem jeito pessoalmente, é um jeito de contornar que resolve muitas coisas. Na dúvida, lembre do Luis Fernando Verissimo, carregando sua falta de jeito durante décadas pra provar que os deserdados da extroversão também têm jeito.

      1. Eu também funciono muito melhor por escrito. Sou uma tragédia quando tenho que falar com meus chefes. Por isso sempre escrevo o que tenho que falar para ele em tópicos (seja uma reclamação, uma sugestão de pauta, pedido de aumento etc). Pelo menos assim eu não me perco e gaguejo de tanto nervoso.

          1. Eu sempre fui uma pessoa tímida e introvertida, pelo menos sou assim num primeiro momento, porém já melhorei muito ao longo da faculdade. Lembro que os primeiros trabalhos que tive que apresentar para a turma cheguei a ficar muito nervosa! Até hoje não é 100% tranquilo, mas já é bem melhor. Sempre falo pras pessoas que me expresso mil vezes melhor por escrito, com certeza. =)
            Muitas vezes não consigo falar as coisas na hora e escrevo depois. Mas quando tenho que falar eu me forço e falo. Nunca deixei isso atrapalhar em nada, e felizmente não está atrapalhando no meu trabalho. Se eu pensei que pudesse atrapalhar? Claro. Mas eu simplesmente penso que tenho que fazer e vou lá, embora às vezes seja meio difícil. Assim, cada vez vai ficando mais fácil 😉

  5. Quando decidi ser jornalista, minha timidez era um paradigma a ser quebrado. Nunca fui meigo, nem “Sandy”, mas tomar iniciativa, falar numa reunião, pedir uma entrevista, abordar um estranho eram coisas que me faziam tremer as pernas e acelerar o coração. Não era fácil. Mas sempre ouvi que um bom repórter tem que ser cara de pau, incisivo, tomar a dianteira e mais uma série de características que iam de encontro com minha personalidade. Briguei comigo mesmo por meses, enfrentei meus medos, tomei iniciativas, gaguejei, tremi e fiz todo o possível para vencer meus paradigmas de personalidade. Meu divisor de águas foi o dia que abordei o Alberto Dines em um evento. Pedi algumas palavras, fiz três perguntas, tomei uma bronca dele pelo despreparo em uma das perguntas, mas colhi as informações que precisava. Depois, sai para a calçada e deixei vir um choro convulsivo, misto de superação e de ruptura com certas estruturas da minha personalidade. Havia vencido a mim mesmo. Desde então, nunca mais tremi ao entrevistar pessoas (anônimos e famosos). Acho que ninguém precisa ir tão longe, mas creio ser importante tentar praticar uma postura mais pró-ativa, para usar um termo que agrada tanto ao mercado competitivo atual. Não precisa ser nenhum repórter do CQC em termos de coragem e cara de pau, mas acho que vale um esforço para sair do cantinho confortável e se aventurar por uma postura mais assertiva.

  6. Assim como a menina que escreveu, eu tb não costumo ser a primeira a falar ou fazer perguntas – e não por timidez, por personalidade. Eu simplesmente não gosto de dar show, será que isso é tão ruim assim? Só que existe, sim, esse mito de que jornalista tem que ser falador, gostar de discussão, gostar de opinar…
    Felizmente, nunca fui prejudicada por não ser a mais animada da galera, mas admito que já tive muito medo de perder emprego por não me enquadrar no estereótipo de jornalista.
    Acho que ela tem que saber a medida: respeitar sua personalidade, mas sem “desaparecer” na multidão. A gente acaba aprendendo, mas leva tempo.
    Só não dá pra ser manhosa, né? Ninguém respeita menina manhosa, ainda mais se for bonita. Sempre vão te tirar pra boba e nunca vão te passar pautas difíceis. Ok, pode ser que você queira mesmo ficar só na pautinha fria, aí tudo bem. Mas se vc quer crescer, tem que saber se impor, falar sério, ser durona quando preciso. Eu sou toda rosa, toda “lacinhos e corações”, mas não deixo ninguém me tratar como criança, e aos poucos fui ganhando respeito. Sem perder “la ternura”, jamais! 🙂

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