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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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Os ruídos na Redação e uma possível solução

Por Cristina Moreno de Castro

Vejam que legal a reflexão do SÉRGIO MADURO:

 

O artigo é do Hélio Schwartsman e , para mim, valeu a leitura; é meio longo, bem interessante, fala entre outras coisas de otimização da produtividade, mas minha ideia, meio resumida e mal elaborada, para não nos tomar muito tempo, está neste parágrafo:

“Temos então um aparente paradoxo: as pessoas trabalham melhor sozinhas, mas a construção do conhecimento é um processo coletivo. O ruído se dissolve se reinterpretarmos o ´sozinhas´ como ´com privacidade, mas em constante diálogo (de preferência virtual) com outros especialistas´”.

De fato, o lugar de silêncio e reserva é fundamental, em qualquer área da vida. Na redação, também deveria ser.

Eu gosto dessa balbúrdia, desse local de troca imediata e sem barreiras físicas. Mas observei que lugares de privacidade não deveriam ter sido abolidos com tamanha radicalidade.

Talvez não dê para mudar de uma vez a filosofia que, faz anos, removeu as paredes e as divisórias dos locais de trabalho. Mas dá para fazer um experimento.

A proposta é instalar um cantinho do silêncio, uma sala que você possa usar por um limite de tempo pequeno (aliás, é bom que ela também tenha poucos computadores, para não virar uma filial da redação).

A intenção não é isolar o sujeito dos diálogos e da colaboração, mas dar-lhe um lugar reservado para produzir, por pouco tempo, quando ele precisa pensar com calma.

Vi, dia desses, durante um fechamento tenso, meu editor sair de sua mesa e buscar o “sossego” de uma bancada na seção de arte, a fim de poder acabar de ler vários artigos, sem aqueles “estou passando fulano pra você no telefone”, “posso fazer isso?” ou “você acha que dá para fazer tal e tal coisa?”. Ele só precisava de uma hora de sossego, mas era difícil encontrar um lugar assim em toda a redação.

Eu mesmo já cheguei a optar, algumas poucas vezes, por fazer coisas em casa, antes de sair ou depois de voltar da redação (e nem sempre é possível esperar tanto), simplesmente porque eu precisava de meia hora para algo mais elaborado.

Então, a sugestão do cantinho do silêncio, que funcione com regras que não sirvam para isolar os tímidos e introvertidos, mas aumente a produtividade de todos que estão precisando de uns minutos de concentração, não me parece muito maluca.

Você pode dizer que é possível hoje sumir e procurar esse canto por aí, numa bancada abandonada da redação; mas então você terá sumido na redação, não está num lugar institucionalizado pelo empregador exatamente para que você possa produzir melhor. Assim, fica a sugestão.

Na necessidade de um pouco de concentração, você diz “estou no cafofo” (ou isolamento, ou quarentena, ou o nome que se queira dar) e todo mundo sabe que você está ali para ter instantes de sossego para produzir, todos saberão como encontrá-lo e só vão procurá-lo nos próximos minutos em caso de urgência.

O Luciano Abe, com quem já discuti a questão, me contou uma curiosa didática que usaram com ele na faculdade para tentar contornar os ruídos da redação. Funcionava assim: o professor autorizava a maior algazarra ao lado daquele que tinha de produzir um texto. Segundo o professor, era um treino que mimetizava o caos em que os artigos deveriam de ser “elaborados” na redação de um jornal.

Isso me soa mais ou menos como, em vez de lavarmos as mãos antes das refeições, treinarmos estratégias para nos curarmos rapidamente de infecções contraídas porque nos alimentamos com as mãos sujas.

Finalizando, quando acabei de ler o artigo do Schwartsman, pensei na sala da Ana, na Editoria de Treinamento; ali temos um resquício das antigas salas de trabalho isoladas, com um toque, digamos, modernizador (hehe): existem divisórias e porta, mas um aviso bem grande pede para ignorá-las. Embora elas – essas barreiras físicas — ainda estejam lá, dão, misturadas ao aviso, um certo tempero à arquitetura que, talvez, equilibre privacidade e diálogo.”

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