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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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“Saí do banco, onde ganhava mais, tentei ser frila, ouvi zilhões de nãos e hoje trabalho onde eu mais queria”

Por Cristina Moreno de Castro

Mais um ótimo relato de um leitor do blog, o Gabriel Ferreira:

 

“Resolvi contar um pouquinho da minha história por dois motivos: porque o Novo em Folha tem participação fundamental nela e porque, com certeza, não sou o único a enfrentar algumas dessas situações.

Mandei meu primeiro e-mail para a Ana Estela há três anos, quando eu estava no terceiro ano da faculdade e não sabia ao certo se devia abandonar meu emprego no Banco do Brasil e me dedicar ao jornalismo.

Os comentários que recebi por aqui foram muito importantes para me ajudar a decidir.

Juntei um dinheiro que possibilitasse eu me virar uns meses, saí em busca de um estágio na área e, no final daquele ano, pedi demissão do banco para trabalhar em uma editora pequena.

Fiquei com medo, afinal no BB eu tinha um bom salário, diversos benefícios e a perspectiva de uma promoção no curto prazo. No estágio, fui ganhar 700 reais e vale transporte.

Mesmo assim achei que valia a pena. Se eu fosse esperar um lugar que me pagasse tão bem quanto o banco, estaria lá até hoje.

Fiquei quatro meses nesse estágio e logo fui chamado para trabalhar em uma grande editora. Quando acabou a faculdade, pediram para eu ficar, mas tinha um porém: eu seria frila fixo. Resolvi aceitar, afinal trabalhava num lugar grande e gostava muito do que fazia. Os benefícios e todo o resto podiam ficar para depois.

Fiquei quase um ano nessa situação. Até que em novembro do ano passado pensei: “já que não sou contratado, porque não levar uma vida de frila mesmo e oferecer meu trabalho para vários veículos?”.

E assim, larguei a revista e mandei sugestões de pauta para diversos lugares. Ouvi um zilhão de nãos – isso quando ouvia alguma coisa – e meia dúzia de sins. Isso é normal, mas acho que cometi o erro de não ter avaliado antes as minhas possibilidades como frila. Não conhecia muita gente que pudesse me passar trabalho, então teria que investir na minha cara de pau – o que ajuda, mas muitas vezes não é suficiente.

Apesar das dificuldades, ser frila foi bom. Consegui fazer pautas diferentes do que estava acostumado e aprender como as coisas funcionam em outros lugares. Até então, meu mundo eram as revistas de negócio. Depois, até para femininas eu escrevi.

Pesando os prós e contras, cheguei à conclusão de que virei frila no momento errado. Eu ainda não tinha muitos contatos dentro das redações e acho que isso é tão importante quanto as boas ideias de pauta. Não adianta ter um baita texto e ótimas propostas se as pessoas não sabem se podem confiar em você.

Por isso, em paralelo com os frilas que fazia, fui procurando um emprego em redação. É lógico que ter a opção de continuar como frila até arranjar algo bacana me permitiu ser mais criterioso. Fiz apenas quatro entrevistas de emprego, todas em lugares que eu realmente gostaria de trabalhar. Até que, no finzinho de fevereiro, recebi a ligação que tanto esperava: fui chamado para trabalhar em um jornal de economia (que era realmente a vaga que eu mais queria entre todas as que procurei).

Acho que o que dá para tirar de toda essa minha história é que quando resolvemos mudar alguma coisa em nossas carreiras temos que fazer um bom planejamento. Se quando resolvi sair do banco ou da revista não tivesse feito uma poupança, provavelmente acabaria tomando decisões mais afobadas e aceitando empregos menos bacanas, apenas para ter um trabalho. Isso não nos impede de tomar decisões erradas – como eu tomei ao me tornar frila de forma tão apressada -, mas ajuda na hora de consertar essas decisões.”

Também quer dividir sua história com a gente? Envie para o novoemfolha.folha@uol.com.br.

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