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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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“Nasci no interior, sem jornal na cidade, ralei para ir pra UnB, ouvi nãos e hoje sou finalista do Prêmio Esso”

Por Cristina Moreno de Castro

O leitor Max Melo também quis dividir sua história com a gente, vejam que bacana:

 

Inspirado pela Mônica S, também resolvi dividir a minha história com vocês.

Sou de uma cidade pequena do interior de Minas Gerais. Lá nem tem jornais locais e faculdades de jornalismo, menos ainda. Como a minha família não teria grana para pagar uma faculdade fora eu decidi que teria que dar um jeito de, com minhas próprias pernas, seguir o meu sonho.

Sempre estudei em escola pública e sabia que se quisesse passar no vestibular de uma universidade pública teria que ralar muito. Quando estava para começar o Ensino Médio procurei uma boa escola particular da minha cidade atrás de uma bolsa de estudos.
Contei a minha história e eles aceitaram que eu fizesse uma prova, se eu saísse bem a bolsa era minha. Estudei muito e consegui.
Apesar de três anos difíceis em um universo completamente diferente do meu, a passagem por essa escola me ajudou a ser aprovado em quatro universidades, entre elas a Universidade de Brasília, onde me matriculei.

A segunda fase da saga começou na UnB. Mesmo sendo pública, a vida acadêmica não é barata. Livros, materiais, moradia fora de casa, alimentação… enfim. Muita gente disse que sem grana eu não conseguiria seguir meus estudos, mas na universidade depois de muitas idas e vindas consegui moradia gratuita no campus, auxilio alimentação e uma pequena bolsa permanência, que me ajudou com os outros gastos.
Claro que é ruim ter pouquíssimo dinheiro, ainda mais com o custo de vida das grandes cidades, mas para quem realmente quer seguir um sonho essa é uma opção bastante razoável.

Foi nessa época que conheci o Novo em Folha. Várias vezes li por aqui dicas sobre a importância dos estágios e como eles nos ajudam a melhorar o currículo, nos ensinam lições importantes não apenas de jornalismo, além de nos ajudar a fazer um networking básico, por isso ainda no primeiro semestre fui à luta em busca de alguma oportunidade na área.
Acabei conseguindo uma vaga sem remuneração em uma ONG.
Eles tinham um trabalho muito interessante de monitoramento jornalístico de temas que envolvem crianças e adolescentes. Me joguei, fiz o melhor trabalho possível, aproveitei tudo que podia aprender ali. Depois de uns três meses surgiu uma vaga e eles me contrataram definitivamente. Fiquei por lá durante dois anos.
Foi uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida.

Só saí de lá quando a questão de grana ficou realmente apertada. Os gastos aumentaram e a bolsa de estágio não estava sendo suficiente. Nessa época fui aprovado em um concurso público para bancário, diante da oportunidade de ganhar mais, deixei a ONG onde estagiava. Fiquei por cerca de 1 ano no banco. Aquele emprego não tinha nada a ver comigo. O trabalho era mecânico e metódico, não tinha abertura para fazer sugestões…. enfim, foi péssimo.
Mas, como toda experiência tem suas vantagens, além de alguns conhecimentos de economia e direito do consumidor, a minha passagem pelo banco me ensinou muito (talvez mais do que qualquer outra experiência jornalística) sobre como lidar com as pessoas. Como me relacionar em situações de estresse (quer algo mais estressante do que uma ida ao banco!).
Além de lições importantes sobre convivência com chefes com que não nos damos bem e em situações desconfortáveis. A pausa no jornalismo me fez uma pessoa muito mais madura.

Para sair do banco eu precisava de outro emprego que me sustentasse, e que me ajudasse a aprender mais. Tentei uma chance no Banco Central, mas não fui escolhido. Como já tinham aconselhado aqui no blog procurei o jornalista que me selecionou e ele me deu dicas de como melhorar. Semanas depois surgiu uma oportunidade na Câmara dos Deputados.
Me esforcei ao máximo, e, seguindo outra sugestão do Novo em Folha, deixei bem claro que estava extremamente interessado na vaga.

Mais uma vez não fui selecionado. Contudo, o jornalista que fez as entrevistas percebeu a minha vontade de conseguir uma vaga. Para minha sorte a menina que tinha sido escolhida teve um problema e precisou desistir. Ele se lembrou de mim e me convidou para ir pra lá.

Meu sonho sempre foi ir para impresso. A um ano de me formar eu ainda não tinha conseguido nenhuma experiência em jornal e eu vi que tinha que mudar isso. Vi aqui no blog uma série de posts sobre como os grandes veículos contratam estagiários. Peguei as orientações e fui atrás de uma vaga. Depois de muitas tentativas passei na primeira fase do longo processo seletivo de uma rede de televisão. Me esforcei muito, e passei pelas quatro ou cinco fases. Na última (uma entrevista com um jornalista super famoso!) não consegui dominar o nervosismo e acabei perdendo a vaga.

Fiquei arrasado. Achei que nunca ia conseguir trabalhar em um veículo bacana, que teria que voltar para o banco…
Num dia, meio desesperado, abri um jornal e mandei meu currículo para todos os editores cujos e-mails estavam ali… Para minha surpresa vualá! Dias depois recebo uma ligação para participar de um processo seletivo.
Mais calmo e com algumas dicas de ouro que tinha aprendido nas minhas experiências anteriores, consegui ser aprovado. De quebra descobri uma área completamente nova e que nunca tinha imaginado trabalhar: a cobertura científica.

Mesmo sendo uma das editorias mais lidas do jornal, raramente as pessoas sonham em cobrir assuntos de ciência. Aqui eu me encontrei  e me apaixonei. Pude explorar as mais diversas áreas do conhecimento. Foi a experiência que faltava em minha carreira. Assim, quando me formei fui contratado no dia seguinte, dando início de vez à realização do meu sonho jornalístico.

Pra quem não mora em um grande centro urbano, não teve oportunidade de cursar uma faculdade de “grife” ou não tem grana para investir na formação, o meu conselho baseado em experiências próprias é de que há espaço pra todo mundo que ama o que faz e que se esforça. Pode demorar ou ser mais difícil, mas é sempre possível.

Depois de formado já tive que desistir de um programa treinee de um jornal econômico importante pois não tinha possibilidade de deixar meu emprego. Obstáculos como esse acontecem com todo mundo e eles sempre nos ensinam coisas importantes que serão úteis mais a frente.

Neste caso, por exemplo, eu perdi a possibilidade de ir para um jornal maior, mas por outro lado, acabei fazendo coisas muito legais de que me orgulho muito no emprego que fiquei. No fim do ano passado um série de reportagens feitas por mim foi finalista do Prêmio Esso de Jornalismo. Imaginem, ser indicado a um Esso logo no meu primeiro ano de formado! Nessas horas a gente vê que vale a pena todos os perregues que passamos. Percebemos que vale a pena insistir mesmo que o senso comum diga que é impossível chegar lá.”


Também quer dividir sua história com a gente? Envie para o novoemfolha.folha@uol.com.br.

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