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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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“Depois de ouvir não, fazer estágio fora da área, em lugar ruim e querer impresso, parei na TV e me apaixonei”

Por Cristina Moreno de Castro

É mais ou menos o que a leitora Mônica S. diz em seu relato abaixo. Ela conta como tentou vários estágios durante a faculdade, alguns fora da área de jornalismo, ouviu uns “nãos” no meio do caminho, passou por estágios horríveis em outros momentos, superou o preconceito contra TV e acabou se apaixonando pelo local que hoje a emprega.

É uma história inspiradora, vejam aí 😀

 

“Nos dois primeiros anos da faculdade eu me dediquei a empregos fora da área de jornalismo, queria muito começar a trabalhar e sabia que no primeiro ano da faculdade eu não conseguiria estágio.

No segundo semestre fui trabalhar como professora em uma escola estadual (não, eu não tenho nenhum curso de licenciatura, fui de gaiata mesmo!). O trabalho era muito difícil, mas o salário era bom, tive várias lições preciosas nesse tempo.

No final de 2010, quando meu contrato com a escola estava prestes a terminar, eu decidi que dali em diante iria procurar estágio em jornalismo, eu precisava de experiência e, mais do que isso, precisava saber logo se era realmente isso que eu queria, já que até o 4º semestre eu pensei várias vezes que tinha feito a coisa errada quando escolhi o jornalismo, mesmo assim, tinha na cabeça que iria até o fim do curso e depois se nada desse certo eu decidiria o que fazer da vida.

Para meu desespero, em 2011, quando comecei a procurar estágio as coisas não deram nada certo para mim. Minha primeira entrevista foi em um conselho de psicologia, o estágio parecia bem bacana, eles têm um site e um periódico com matérias sobre saúde bem interessantes, mas eu estava concorrendo com uma candidata da Universidade de Brasília e eu estudo em uma faculdade particular, não sei se isso contou alguma coisa, mas ela ficou com a vaga. Eu não fiquei muito triste porque afinal de contas era minha primeira entrevista.

Foi depois dessa resposta negativa que eu comecei a botar os ensinamentos do “A Vaga é Sua” em prática. Vocês ensinam no livro a pedir para o entrevistado os motivos pelos quais eu não tinha sido escolhida, mandei um email e achei a resposta muito válida, tentei mudar o que ela disse que eu tinha deixado a desejar.

Poucos dias depois eu fui para outra entrevista, a jornalista que me entrevistou disse que o estágio era X, quando cheguei lá vi que o estágio era -X. A jornalista que me entrevistou não estava mais lá, e eu não tinha nada para fazer naquele lugar!! Ficava a tarde toda na internet, porque realmente não tinha serviço para mim, meu trabalho era fazer releases e a demanda era de dois por SEMANA!!!!

Nessa época eu lia o Novo Em Folha e mais um milhão de blogs todos os dias. O blog e o livro mais uma vez me ajudaram a decidir o que eu faria depois de sair daquele estágio terrível. Fiquei até o fim porque estava pagando o curso de ingês com o dinheiro, mas já tinha decidido que ficaria só os 6 meses do contrato.

Enquanto estava no estágio do inferno eu fui a milhares de entrevistas, inclusive em uma de um jornal impresso, que era o sonho da minha vida, saí de lá chorando porque vi que tinha feito um texto bem ruinzinho por pura ansiedade, aprender a controlar isso é muito importante. Infelizmente nenhuma entrevista deu resultado e eu tive que partir para o plano B.

Findado o estágio do horror, resolvi colocar em prática uma das orientações que recebi de vocês, não só pelo livro e pelo blog mas também por um email que eu mandei pedindo mais dicas sobre estágio. Se não me engano foi a Cristina que me respondeu e ela disse o quanto fazer estágio é importante e que era bom eu fazer mesmo que não fosse remunerado e foi o que fiz.

Sei que nem todo mundo pode se dar ao luxo de ficar 6 meses sendo bancado pelos pais, mas não ter o próprio dinheiro depois dos 20 é bem chato, a moral aqui é se colocar diante de momentos nem sempre agradáveis e confortáveis em busca de um objetivo!!

A moral de minha história está além da remuneração, o preconceito às vezes faz a gente ficar cego e perder grandes chances na vida, com sorte não foi o meu caso, mas quase.

Na minha cidade tem uma emissora filial de uma afiliada Rede Globo, ela produz duas edições do jornal local, e como o nome diz é um Jornal Local, as matérias são mais simples, a cobrança da sede é grande e os desafios maiores ainda, mas eu só fui descobrir isso depois que comecei o estágio lá. Antes, além de eu não me imaginar em frente a uma câmera de jeito nenhum, eu achava que só jornal impresso era legal, ainda dizia que nunca iria trabalhar naquela TV porque ela era ruim e não fazia jornalismo. Mas a necessidade de ter experiência em um veículo de comunicação era muita, então resolvi ver no que ia dar.

O final de história é que eu aprendi muita coisa de telejornalismo, me apaixonei por TV. Me dediquei bastante ao estágio, passei pela produção, edição e reportagem, tentei fazer sempre o melhor e agora fui contratada como produtora da TV, isso sem ter me formado ainda. O fato de um veículo de comunicação ser pequeno muitas vezes nos dá experiências muito ricas, afinal colocar um jornal no ar ou na rua com o mínimo de estrutura é complicado.

Eu menosprezava muito a TV onde trabalho hoje, mas foi lá que eu descobri não apenas profissionais que dão o sangue todo dia para fazer tudo dar certo, mas também pessoas maravilhosas que me ensinaram muito e que agora fazem parte da minha carreira de jornalista que está só começando!!!

Para aqueles que acham que só jornal impresso é jornal eu não tiro a razão, ainda acho impresso fantástico, mas deixar se surpreender é bom, tente outras coisas, vai que assim como eu você gosta! Para quem quer muito TV mas acha que é feio ou tímido demais para isso, eu digo que não custa nada tentar, a câmera seduz, quando você se vê no vídeo, mesmo se achando feio acha aquilo legal e vai sempre tentando melhorar a voz, o cabelo, a roupa… Ninguém nasceu sabendo sorrir para a câmera, isso a gente aprende com o tempo!!!

O Blog e o Livro da Ana e da Cris também foram muito importantes para mim. As dicas sobre tudo ajudam em cada etapa da vida de jornalista, os relatos no blog sempre me deram um gás para lutar até a hora em que chegasse a minha vez! A interação das duas com os leitores, tanto pelo blog quando por email fazem muita diferença naqueles dias em que você acha que nada vai dar certo.O trabalho delas é uma verdadeira consultoria para futuros jornalistas, sobre como lidar com todos os enormes desafios que a profissão mais linda do mundo tem!!”

Também quer dividir sua história com a gente? Envie para o novoemfolha.folha@uol.com.br.

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