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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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Existe imprensa imparcial?

Por Ana Estela de Sousa Pinto

Lá na nossa outra vida (ou seja, no blog antigo, =) ), a Luisa escreveu sobre a cobertura da desocupação do Pinheirinho: a dificuldade de informar direito sem correr riscos, o cerceamento ao trabalho dos jornalistas em nome da segurança.

Para quem quiser ler ou reler, o post está neste link.

Nos comentários, alguns leitores disseram algo mais ou menos assim:

Vocês pedem liberdade de imprensa só para poderem ser sempre parciais. Falarem bem dos políticos de que os donos de jornais gostam, e mal dos outros.

A esse respeito, nosso leitor Willian mandou algumas reflexões.

O que acham? Concordam com o Willian?

Ana, boa tarde!
Ao observar o post e o debate criado nos comentários, acho que dois pontos merecem destaque na discussão desta história.

O primeiro é sobre as condições de trabalho dos jornalistas. Sim, cobrir manifestações populares, protestos ou mesmo acompanhar ações da polícia envolve riscos. Se não envolvesse, os oficiais de justiça cumpririam seus mandatos sem a necessidade de uso da força policial, para eventuais confrontos.

 Por outro lado, é claro que as restrições impostas pela polícia nada tem a ver com a segurança dos jornalistas, e sim, com a limitação da cobertura, privando a imprensa de registrar eventuais embates entre policiais e manifestantes.

De qualquer forma, temos que entender que faz parte do jogo e procurar maneiras de conversar com os envolvidos, fazer imagens, enfim fazer a cobertura possível e a melhor possível.

O segundo ponto a ser destacado é sobre a imparcialidade ou não da imprensa, ponto levantado por alguns colegas nos comentários.

Claro, não é função da imprensa tomar partido numa cobertura. Por outro lado é legítimo o veículo ter opinião, se posicionar, e, de certa maneira, expor sua visão dos fatos ao leitor.

Neste sentido, há outra questão relevante a ser destacada: as reportagens da mídia convencional (grandes veículos de comunicação), em minha opinião foram baseadas por critérios técnicos, éticos… O mesmo não ocorreu com os blogs e sites feitos por ativistas políticos, que levaram o leitor a fazer um juízo errado da situação, com uma cobertura emocional, apaixonada e mentirosa.

Abaixo, enumerei alguns problemas que vi em comentários e posts nas redes sociais, sites e blogs:

1° o governo nada tem a ver com o caso, uma vez que a reintegração de posse ocorreu por determinação judicial. Ou seja, deveriam protestar na porta do Tribunal de Justiça, ou não? Mas os manifestantes preferem o contrário e vão à sede da Prefeitura de São Paulo, aos eventos na capital paulistana para ofender pessoas que nada têm a ver com a situação do Pinheirinho.

2° Divulgaram informações não confirmadas como se fossem oficiais.

3° Em momento algum levaram em consideração o fato de que a Polícia Militar estava lá também por ordem judicial.

Só gostaria de acrescentar algo que minha experiência (seis anos) como jornalista me mostrou:

Nós jornalistas não podemos nos preocupar com eventuais críticas dos leitores (desde que a informação esteja correta, claro). Afinal, sempre haverá alguém que reclamará da reportagem, da abordagem… Especialmente quando o assunto envolve política e coisas do gênero.

É comum pessoas que não se sentem representadas pelo jornal reclamarem. Acho que é por isso que os grandes veículos recebem duras críticas. Outros reclamam por reclamar, talvez para tentar pressionar a imprensa ou para conseguir alguma publicidade, por se mostrar discordante dos grandes veículos.

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