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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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Se palpite fosse bom…

Por Ana Estela de Sousa Pinto

… ninguém dava de graça. Vendia!

É exagero, eu sei. Mas o tema foi levantado por nossa leitora X, que nos perguntou se dar palpite demais no estágio poderia ser um tiro pela culatra (leia aqui).

Nossos leitores deram várias opiniões legais nos comentários, e o Marcus mandou uma boa lista de dicas para refletirmos:

I – O trabalho em primeiro lugar

Soa conservador assim, a seco. Mas existe uma ideia no senso comum de que a criação está dissociada do trabalho. É mais ou menos como se houvesse nas empresas uma casta pensante e outra “trabalhante”, que arca com o esforço envolvido nas elocubrações de seus superiores geniais. Não é bem assim.

É necessário pensar o trabalho como primeiro passo para poder ser criativo no emprego. Perceba rotinas, procedimentos e como melhorá-los. Comece agilizando as etapas mais maçantes do seu trabalho. É assim que você vai ter tempo para colocar para frente as ideias que você venha a ter.

II – Seja responsável pelos seus pitacos

Criações não se materializam escorrendo pela orelha daqueles que as imaginam. Elas demandam tempo e esforço. Melhor posto: SEU esforço e SEU tempo. Não tire a brasa com a mão alheia. Se você acredita nas suas ideias, empenhe-se sobre elas.

Trata-se de uma postura. Mostre iniciativa e cuidado para não estar apenas soltando ideias vagas. Não diga “A gente podia fazer tal coisa”, mas sim “Eu quero fazer tal coisa”. Alguns chamam isso de pró-atividade. Outros consideram um clichê corporativo, o que ainda é melhor que ter fama de pitaqueiro.

III – Organize seus pensamentos

Uma sugestão solta no ar, mesmo que coerente, cabível e funcional, ainda depende muito de empatia e disposição de quem ouve. Desenvolva suas propostas de maneira clara e objetiva. Se você acha que se explica melhor com uma apresentação de Power Point, faça isso primeiramente para você poder ver suas ideias representadas. Aproveite para exercitar sua auto-crítica e ser juiz do que você propõe.

IV – Fugir do óbvio não é colocar uma melancia na cabeça

A criatividade não se justifica por si só. Uma reunião ministerial escrita em flashback com fluxo de consciência ou uma análise da balança comercial brasileira narrada em primeira pessoa por um contêiner podem parecer coisas bem interessantes (*). Mas quando seu chefe arquear as sobrancelhas em estranhamento, não faça bico.

Cada ambiente de trabalho tem sua cultura criativa. Sim, sempre existe uma caixa. E se você pretende ser ao menos ouvido, então é melhor começar pensando dentro dela. Limites podem existir para serem quebrados, mas lembre-se que não há muito retorno para quem banca o gênio incompreendido fora do campo do ego.

V – Não se apegue a suas sugestões

Tenha sempre em mente que “esta ideia não é boa” não quer dizer “você não é bom”. Por outro lado, se você conquista seu espaço e tem sua voz, não se coloque como um menino prodígio. Encare cada solução proposta como uma mera tarefa completada (ou na maioria das vezes, a ser completada).

Principalmente, não crie expectativas. Vale aqui parafrasear o Mestre Yoda de “Guerra nas Estrelas”:

Expectativa leva à presunção. Presunção leva à frustração. A frustração é o lado mais negro do trabalho.
VI – O anonimato é mais confortável do que parece

Procure manter seu processo criativo em sua cabeça, nas suas anotações e no seu computador. Quando estiver com tudo estruturado, apresente discretamente a seu chefe. Não sinta a necessidade de um fórum para tudo que você sugere. A maioria dos problemas é melhor resolvida com o mínimo de pessoas envolvidas. Se o que você propõe necessita discussão, o seu chefe a conduzirá de uma posição muito melhor que a sua.

VII – Teu lugar virá até você

Não fique bancando o criativo a troco de status. Reconhecimento é algo que vem em função de resultados (leia: “trabalho”). Se tudo der certo, você acaba sendo identificado no seu emprego como alguém que geralmente soluciona um tipo de problema (leia: “mais trabalho”).

VIII – Respeite o trabalho alheio

Se você olha seu colega trabalhando por cima do ombro dele, já começou errado. Se discorda da maneira como ele faz o dever dele, pare por aí. Cada um tem seu jeito de fazer as coisas e cabe a quem é o superior dessa pessoa falar qualquer coisa quanto a isso. Limite ao máximo intrometer-se no trabalho dos seus colegas. Faça-o da maneira menos petulante possível e tente ao menos partir de uma preocupação legítima com o seu colega.

IX – NÃO SEJA INCONVENIENTE

Isto é algo que pode se denotar em todas as outras dicas. Este toque fica aqui no final como a moral no final da história de quase todo mau pitaqueiro.
(*) [ADENDO DA ANA: adorei isto! Um conteiner fazendo uma análise em primeira pessoa da balança comercial brasileira!]

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