Tenho que contar para o meu chefe?

A dúvida da leitora é esta:

Atualmente estudo letras e faço estágio numa grande indústria, na área de secretariado. O salário é muito bom, os benefícios quase infinitos, também, além de ser um trabalho fácil. Eu sou organizada e metódica por natureza, exercito meu inglês por telefone, aprimoro meu excel, tenho convênio médico, salário certo todo dia 05 do mês. Acho válido.

Acontece que eu ainda tenho interesse na área de jornalismo, e até consegui fazer alguns freelas (!!!). Alguns foram dois. Mas eu me sinto tão satisfeita e realizada, que é quase como se eu tivesse feito mais que seis =).
 
Minha preocupação – e dúvida sobre como proceder – é em relação à empresa para a qual eu trabalho. Eu devo avisá-los sobre os trabalhos que fiz ou que pretendo fazer? Porque eu tenho um vínculo profissional com a empresa e todo vínculo possui regras.

Mesmo que eu faça uma matéria sobre esporte, por exemplo (que foi a área de uma), eu teria de avisá-los? Parece loucura, mas talvez não seja e, por hora, não pretendo deixar esse estágio, mas quero muito continuar tentando fazer freelas.

O que vocês acham? Ela precisa avisar?

Comentários

  1. falta informação aí. a empresa será prejudicada se você fizer algum trabalho por fora? se você trabalha na globo e faz matéria pra band, é uma coisa. se você trabalha numa empresa de engenharia e pintar um freela como garçonete, e for coisa totalmente fora do horário de trabalho (do trabalho oficial) – ou seja, você não atrasar nada, não usar o horário que vendeu – não vejo o menor problema. só não contaria aos chefes se achasse que eles não precisam saber de outros “aspectos” de minha vida (como não falar de vida amorosa, por exemplo).

    1. Sim, é isso aí. Quase sempre, essas nossas dúvidas não têm uma resposta certa, mas é importante fazer as perguntas certas, entender que peso damos para cada opção e, então, decidir, sabendo que toda decisão envolve ganhos e perdas.
      Ana

  2. não acho que vc deva avisar ninguém na empresa. vc poderia ter um outra trabalho, como garçonete aos fins de semana para complementar a renda e não precisaria avisar ninguém.
    aqui o caso não é ganhar mais dinheiro, mas tentar se inserir no jornalismo sem precisar largar um emprego certo e de boa remuneração.
    mas, posso fazer uma pergunta: assim como vc pediu a opinião de uma profissional gabaritada em jornalismo, por que vc também não pede a opinião do outro lado? não precisa ser no local de trabalho, mas para alguém que vc tenha contato.
    abç, fernando

  3. A questão do conflitos de interesses é fundamental. Vale para o jornalismo e para qualquer profissão. Por mais ético e honesto que a gente seja, é bom nunca aceitar um trabalho que envolva conflito de interesses, sob pena de ser depois acusado –mesmo que injustamente– de tentar favorecer ou prejudicar alguém. Já notou que pediatra dificilmente dá injeção no próprio filho, cirurgião não opera os pais; juiz não decide caso que envolva parentes? É mais ou menos por aí.
    Também concordo que depende da relação que temos com o chefe. Não é algo que se precise esconder.
    Ana

  4. Acho que ela não precisa se preocupar com nada. Desde que ela não use o nome da indústria para beneficiar alguma matéria que faça e não viaje na maionese fazendo uma matéria que por exemplo denuncie alguém da indústria ou alguma coisa ilegal de lá (tô dando só exemplo, nem sei que lugar é), não tem porque ela contar. Nesse último caso ela não deve nem aceitar o frela, né!! Agora, se o chefe for legal, se ele for aberto, daí dá até pra contar como curiosidade, pra ter assunto… Mas aí é assunto tipo quando vc conta que time torce, que prefere comer salgado a doce…

  5. Eu creio que, muitas vezes, os chefes são mais compreensivos do que a gente imagina =).
    Com base no que eu já vivi, acho muito legal falar sobre os planos presentes e futuros, deixando claro que eles em nada comprometem seu trabalho. Desta forma, você estabelece um diálogo franco e aberto, e acho que só tem a ganhar, de verdade. Pode ser que destes frilas surjam oportunidades, entrevistas, e é legal que o chefe saiba do processo desde o começo, assim, não é pego de surpresa, entende uma ausência temporária ou até mesmo definitiva. Em emprego isso dá certo, em estágio, acho, é mais fácil ainda. Desconheço as regras da contratação, mas, até hoje, nunca vi motivos pra ter receio de contar… Os chefes costumam até ajudar e muito nesses assuntos, costumam entender a fase que a pessoa está (experiências novas, sonhos, expectativas…), ajudam, estimulam, contribuem. É saudável. Você ganha porque fica tranquila e o chefe ganha porque conhece mais a fundo a pessoa que está com ele e faz um trabalho mais direcionado…
    P.s.: Adorei o NeF atualizado no feriado =D

  6. Depende de fatores como a área em que a indústria está inserida no mercado, das regras do vínculo empregatício e do freela.

    Se inexistir qualquer conflito de interesse, acho que a leitora deve aceitar os trabalhos na área de jornalismo, ser feliz e ganhar esse R$ sem peso na consciência e sem comunicar ninguém na empresa.

    Agora, caso existam disputas éticas entre as áreas ou impedimento contratual, ela não deveria nem aceitar os freelas.

    Eu já precisei negar uma proposta super bacana e valeu a pena. Minha recusa foi em nome de uma qualidade essencial ao jornalista: credibilidade.

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