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O blog é uma extensão do Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha. É produzido pela equipe da Editoria de Treinamento, pelos trainees e por outros colaboradores da Redação da Folha.

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Tirando o capuz

Por Cristina Moreno de Castro

Vou falar hoje sobre um assunto de que a ombudsman tratou em sua última coluna.

A dificuldade que o jornal (e seus fazedores) tem para encontrar coerência ao identificar (ou não) os acusados de crimes. Em algumas matérias, mesmo sem outro lado, o suspeito é identificado com nome e sobrenome. Em outros casos, mesmo quando houve flagrante ou confissão, opta-se por esconder a identidade do suspeito.

Já falamos disso aqui no blog outras vezes, mas é uma questão que sempre me intrigou e, como jornalista, acho que esse julgamento diário do que é certo ou errado (ou melhor e pior) é muito difícil.

Não esqueço uma vez em que, num plantão, fiz uma matéria sobre um arrastão a um restaurante paulistano. Entrevistei o dono do local e, no final, ele pediu para que o lugar não fosse identificado na matéria, porque isso afastaria os clientes de lá e ele seria duplamente prejudicado.

Conversei sobre isso com o editor que estava no plantão e ele concordou comigo que não fazia sentido penalizar a vítima duas vezes. Não demos o nome na notícia.

No dia seguinte fomos cobrados por isso. Por que não deram o nome do lugar? Outra questão estava em jogo, que não havia nos ocorrido na véspera: há um interesse público em saber qual local foi alvo de assaltos; o leitor tem o direito de escolher se quer ou não frequentá-lo, sabendo que já houve um arrastão ali.

Além do mais, os vizinhos podem querer saber justamente para cobrarem as autoridades pela segurança, que não é de responsabilidade do estabelecimento, mas da polícia.

Enfim. Imaginem essa mesma discussão quando estão em jogo um assassino confesso ou um suspeito de estupro ou um assaltante flagrado etc. Em 99,9% dos casos, o jornalista não presenciou o crime. Tem que confiar nas palavras de investigadores, testemunhas e advogados. Até que ponto é importante identificar à sociedade um criminoso, sob risco de estar destruindo a imagem de um potencial inocente?

Não existe certo e errado, mas existe uma busca diária para se alcançar as melhores soluções, às vezes com pouquíssimo tempo para discussões. E aí podem ocorrer as tais incoerências de que fala a ombudsman.

O que vocês acham que é mais importante nesses casos? Divulgar ou preservar?

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