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Novo em Folha

Programa de Treinamento

Perfil O blog é uma extensão do programa de treinamento em jornalismo diário da Folha

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Meu nome saiu na Folha!

Por Juliana Ferreira, trainee da turma 55

No primeiro dia de trainee, uma das primeiras lições que tivemos foi que qualquer reportagem publicada na Folha dá muita repercussão. Por isso, deveríamos sempre fazer uma apuração impecável e jamais cogitar escrever informação errada.
Depois de algumas semanas de curso, finalmente assinei meu primeiro texto no jornal. Ao todo, escrevi três reportagens assinadas. Coloquei meu nome à prova.
Por causa daquela primeira lição, a cada vez que minha assinatura aparecia no jornal subia um frio na barriga. Era um misto de emoções. De um lado, a alegria de ver meu trabalho publicado. Do outro, o medo de errar.
Mas aprendi que não adianta ter medo. Sempre haverá quem questione nosso trabalho. O importante é estar com todas as informações em mãos para provar que a melhor apuração possível foi feita.
Jornalista tem de gravar as entrevistas, checar quantas vezes forem necessárias e nunca hesitar em publicar algo de interesse público.
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Entendendo direito

Por Giulia Lanzuolo e Yajna Moreira, trainees da turma 55

Há uma semana recebemos um e-mail aterrorizante: leiam a apostila, vistam-se como se fossem visitar a avó do namorado no interior de Minas, não saiam à noite, cuidado para não voltar para a Redação em um saco plástico. O autor é Gustavo Romano, responsável pelo curso de direito dos trainees da Folha.

Ao ler a apostila elaborada por Romano adquirimos uma visão global das esferas de poder do Brasil, da tramitação das leis, do direito penal, entre outros assuntos do universo jurídico.

O aprendizado não fica na teoria. Depois de cinco horas de aula pela manhã, vamos para as ruas. Às 13h saímos, e às 17h um texto precisa estar nas mãos de Romano, como em um fechamento real. Se o texto não ficar pronto, não tem jornal.

Já escrevemos sobre projetos de lei. As apurações foram feitas na Câmara Municipal e na Assembléia Legislativa. O objetivo, de acordo com o professor, é criarmos desenvoltura para encarar políticos e entender o que seus gestos significam.

O segundo passo foi decifrar os processos criminais. Aprendemos com isso que, muitas vezes, a desonestidade e a desinformação reinam nos fóruns da cidade. O que é revelia? E um despacho? Embargo de declaração? Pouco a pouco, os termos técnicos passam a fazer parte do nosso vocabulário. Ainda assim, dúvidas podem surgir. Nem por isso podemos deixar de questionar a fonte.

Por último, percebemos a importância de agradecer diariamente às fontes pelo tempo dedicado. Somos orientados a telefonar para todos os entrevistados no fim do dia. O que pode parecer estranho tem como objetivo cativar a fonte. Afinal, o gari de hoje pode ser o ministro de amanhã.

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Jornalista por acaso?

Nesta entrevista a estudantes, Ana Estela de Sousa Pinto, editora de “Mercado” que comandou por 15 anos a editoria de Treinamento, conta um pouco de sua trajetória e fala sobre jornalismo e crise na profissão.

Ela diz que a faculdade de jornalismo pode ser útil se realmente houver orientação, mas que ela não é imprescindível.

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O centro à noite

Por Clara Velasco, trainee da turma 55

Apesar de ter deixado a Baía de Todos os Santos em 2007 e, desde então, ter adotado São Paulo como morada, nunca tive interesse em participar da Virada Cultural. Achava legal quem ia, mas não gostava da programação e continuava focada nas festinhas indies da Augusta.

Consegui não ser escalada para trabalhar na Virada nos lugares em que trabalhei com jornalismo até o ano passado – mas em 2013 não deu. E lá fui eu para o centro na noite deste sábado, pensando que o momento de enfrentar a festa finalmente tinha chegado.

Agora, depois de muitas horas mal dormidas, de correria para escrever o texto no celular e mandar para a Redação antes que o próximo show começasse e de diversos metrôs lotados, penso que avaliei mal a Virada.

O que importa não é a programação – mas, sim, perceber o quanto a cidade tem a oferecer. Andar no centro à noite, com várias pessoas passeando ao seu redor, é algo quase esotérico. Me fez pensar o quanto não conhecemos o lugar onde moramos – e como certos preconceitos podem nos privar de experiências interessantes como esta.

Como forasteira nesta cidade tão grande, posso dizer que me tornei um pouquinho mais paulistana ao participar da Virada Cultural – mesmo que apenas trabalhando.

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No reino da dialética

Por Rafael Tatemoto, trainee da turma 55

Um dos aspectos mais impressionantes da cultura jornalística da Folha é a busca incessante e implacável pelo “outro lado”, ou seja, pelas diversas versões e opiniões que um mesmo fato pode suscitar. Trata-se de uma obsessão coletiva, incontrolável, com a qual a Editoria de Treinamento busca nos “contaminar”.

De tão importante, o “outro lado” ganha ares religiosos: tal como se estivéssemos falando de um oráculo, diversas vezes escutamos e repetimos “vai ter que escutar o outro lado.” Às vezes, nos referimos a ele como um ingrediente cuja ausência estragou uma receita: “faltou o outro lado nessa reportagem.”

Pessoalmente, chega a ser quase doloroso me relacionar com esse ente misterioso. Não raras vezes ele mente, te enrola ou atrasa. De onde surge essa vocação potencialmente masoquista, então? A busca pelas diversas visões sobre uma mesma coisa é, no fundo, apenas um mecanismo na tentativa de alcançarmos uma narrativa mais próxima daquilo que poderia ser chamado “verdade”.

Um “outro lado” pode derrubar uma matéria. Quase sempre torna nossa percepção mais apurada. Descobri, inclusive, que chegamos mais perto da verdade, que se fortalece, quando encaramos a mentira.

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Bola dentro, bola fora

Por Yajna Moreira, trainee da turma 55

 

Normalmente, nas quartas-feiras depois da novela eu mudo para um filme, um livro ou uma música. Nos domingos à tarde, quando o tempo não coopera com um passeio, apelo para a TV a cabo. Ou seja, sempre evito o futebol. Até saber qual seria o projeto final da turma 55 dos trainees da Folha.

Em tempos de grandes eventos esportivos no Brasil, como Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas, nada mais natural que esse seja o nosso mote.

Apesar de não ser meu assunto preferido, já trabalhei com esporte anteriormente, no Grêmio. Lá, me deparei com desafios, como saber quem era Hugo de León, quais jogadores marcaram no Mundial de 1983 ou quem era o técnico do time na conquista da Libertadores de 1995. Foi difícil.

Aqui, a coisa piora: o que é a Fazendinha, o Tucuruvi, os sucessores do Marin, os precursores do futebol no Brasil? Os meus problemas, antes locais, ganharam proporções nacionais.

Assim, para não passar vergonha diante dos colegas por não saber quem é fulano ou como está a Libertadores, aqui estou eu: deixando de lado o livro “O Super-homem vai ao supermercado”, de Norman Mailer, para me dedicar a São Paulo x Atlético-MG. E ainda falta um mês.

PS. parabéns ao trainee Leandro Aguiar pela conquista do Galo.

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Ronda

Por Úrsula Passos, trainee da turma 55

Semana passada, nós, os trainees, começamos a frequentar a Redação aos fins de semana e feriados, para o plantão. Uma das minhas incumbências foi fazer a ronda.

Antigamente, antes da internet e quando se alugavam linhas telefônicas como se alugam casas, o jornalista saía de noite pela cidade visitando delegacias e procurando, quem sabe, por “cenas de sangue num bar da avenida São João”.

Hoje, fazer a ronda não exige sair às ruas, e ela não é feita apenas de noite. Agora, o jornalista precisa estar atento à internet, olhando páginas de jornais e portais de todo o Brasil, atualizando-as de tempos em tempos. Deve telefonar para polícia, bombeiros, delegacias e outros órgãos para saber o que está acontecendo. Se faz a ronda em torno de uma notícia específica, ele acompanha seu desenrolar ao longo do dia, ligando para hospitais, advogados, assessores.

A ronda do jornalista busca furos e detalhes para, quem sabe, como na música de Vanzolini, “dar na primeira edição”.

Em tempo, ainda não participamos do pescoção às sextas-feiras. Antes que me perguntem: não, não tem nada a ver com girafas o que acontece na Redação antes do fim de semana. E também ninguém é enforcado ou guilhotinado. Pescoção é quando o pessoal fica até mais tarde, de madrugada, preparando material para o jornal de domingo.

Ainda vou escrever uma música com os termos curiosos do jornalismo.

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E eu com isso?

Por Pedro Kuchminski, trainee da turma 55

“Qual é o gancho?” Essa é a pergunta que todo jornalista deve se fazer ao sugerir uma pauta. “Gancho” no mundo jornalístico é um jargão utilizado para algo que justifica uma reportagem. Ou seja, o gancho é o que liga a pauta ao dia a dia do leitor.

Por exemplo, recentemente -devido a atos infracionais cometidos por adolescentes em São Paulo- a Folha encomendou ao Datafolha uma nova pesquisa sobre a opinião dos paulistanos em relação à diminuição da maioridade penal. O jornal utilizou-se dos acontecimentos como gancho para solicitar a pesquisa e, a partir daí, criou infográficos e publicou análises que estimularam o debate entre leitores e colunistas. Tudo isso trouxe o leitor para mais perto dos fatos.

Por isso, o jornalista precisa de um gancho para que os leitores sintam-se curiosos à medida que percorrem as linhas da reportagem. O objetivo é escrever um texto envolvente, informativo e, se possível, capaz de instigar o leitor a ponto de ajudá-lo a desenvolver seu senso crítico.

Nesses dois meses de treinamento, aprendemos como procurar e usar um gancho para a elaboração de reportagens. O intuito é demonstrar a importância daquilo que virou notícia para o cotidiano das pessoas.

Afinal, sem um gancho, a notícia corre o risco de ficar desinteressante, deslocada e, pior, irrelevante aos olhos de quem a lê.  É o chamado: “E eu com isso?”

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Programa de Treinamento em Jornalismo de Ciência e Saúde

A Editoria de Treinamento vai fazer, pela primeira fez, um programa específico para jornalismo de ciência e saúde.

As inscrições terminam na próxima sexta-feira, dia 3, e devem ser feitas pelo site.

Na Redação, os trainees acompanharão a rotina de “Ciência+Saúde” e participarão de fechamentos e reportagens, tanto para o impresso quanto para o on-line.

O programa tem patrocínio institucional da Pfizer.

A primeira fase da seleção consiste em análise de currículo e uma prova on-line no dia 17 de maio.

Os 30 candidatos mais bem classificados irão participar de dois dias de palestras com profissionais da *Folha* e convidados das áreas de ciência e saúde.

Haverá também entrevistas individuais com os candidatos. Serão seis selecionados.

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Aqui jaz uma pauta

Por Giulia Lanzuolo, trainee da turma 55

Sábado à noite eu esperava chegar meu ônibus de sempre numa plataforma improvisada em consequência das obras nos entornos do metrô Santa Cruz. Era quase meia-noite e, depois daquele ônibus, só amanhã de manhã. Mesmo. Mas uma luz forte e uma aglomeração de pessoas do outro lado da rua me fizeram desviar do caminho usual.

Atravessei a avenida e, quando cheguei do outro lado, a festa estava acabando. Desde as 20h30 acontecia ali, em frente ao Colégio Arquidiocesano, uma rinha de MCs, conhecida como Batalha do Santa Cruz. Comecei a conversar com um dos artistas, que vendia seu álbum lá. Ele contou a trajetória do evento, que acontece há sete anos, todo sábado, naquele horário. Também disse, com orgulho, que figuras conhecidas da cena do rap nacional, como Emicida, tinham sido lançadas ali. 

Na hora, pensei empolgada: “Aqui há uma pauta”. Peguei contatos, fiz perguntas, comecei a pensar no lide. No dia seguinte, domingo, a primeira coisa que fiz ao chegar no plantão foi checar se alguém já tinha publicado aquilo. Nesses dois meses de trainee aprendi que, se há uma coisa que editor detesta, com razão, é sugestão de pauta que já fizeram.

À primeira busca do Google, ninguém tinha tocado no assunto. Ufa. Melhor pesquisar outra vez. Dois “searchs” depois, ali estava a pauta que eu tinha pensado, prontinha, feita por um colaborador da Folha há tempos. Nunca superestime seu faro para pautas. Com a experiência de quem tem alguns poucos meses de jornalismo nas costas, toda ótima ideia é questionável. Ali jazia uma pauta.

 
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